
Acordo EUA-Irã revela cessar-fogo, reabertura de Ormuz e fundo de 300 mil milhões de dólares
O memorando de entendimento de 14 pontos, que será assinado na sexta-feira na Suíça, prevê o fim das hostilidades, o alívio de sanções e negociações nucleares em 60 dias.
A poucos dias da assinatura formal prevista para Genebra ou Lucerna, o texto integral do memorando de entendimento entre Washington e Teerão veio a público através de altos funcionários norte-americanos, que o ditaram anonimamente a jornalistas. O documento, intitulado “Memorando de Islamabad” em reconhecimento da mediação paquistanesa, estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, incluindo o Líbano, e compromete as partes a não recorrerem à força. A versão divulgada, porém, foi imediatamente contestada por Teerão, que alegou “numerosas imprecisões”, mantendo alguma incerteza sobre a redação final.
O acordo abre um período de negociação de 60 dias para um tratado definitivo. Durante essa janela, o Irão compromete-se a jamais produzir armas nucleares — uma reafirmação que ecoa o extinto Plano de Ação Integral Conjunto — e a diluir o seu urânio altamente enriquecido segundo um novo padrão mínimo. Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderão sanções à exportação de petróleo bruto, produtos petroquímicos e serviços financeiros iranianos, além de facilitarem o descongelamento de ativos. O texto prevê ainda um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares, financiado por capital privado de vários países, e a reabertura gratuita do Estreito de Ormuz por 60 dias, com a remoção de minas navais.
A reação internacional expõe fraturas geopolíticas. Em Israel, o debate político centra-se na salvaguarda da “integridade territorial” do Líbano, que poderá limitar a liberdade de ação militar contra o Hezbollah. Observadores em Washington notam que o Congresso não teve acesso prévio ao texto, alimentando críticas sobre concessões excessivas a Teerão. Na perspetiva de Brasília, a estabilização do tráfego no Golfo Pérsico é vista com alívio, dado o impacto direto nos preços do petróleo e na competitividade das exportações brasileiras do pré-sal. Em Lisboa, analistas sublinham que a normalização do fornecimento energético interessa à Europa, mas advertem que a arquitetura financeira do fundo de reconstrução permanece vaga.
Para os países africanos de língua oficial portuguesa, o eventual reequilíbrio do mercado petrolífero pode trazer algum alívio orçamental a produtores como Angola, mas também acentuar a concorrência num contexto de transição energética. A dúvida central, partilhada por diplomatas em várias capitais, é se o memorando resistirá aos 60 dias de negociação técnica. A história de acordos interinos com o Irão sugere que a passagem do cessar-fogo a uma paz duradoura dependerá menos dos 14 pontos agora conhecidos e mais da capacidade de Washington e Teerão converterem a trégua tática num novo equilíbrio estratégico no Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O acordo marca um passo decisivo rumo à paz, com os EUA garantindo um cessar-fogo e o Irã se comprometendo a nunca construir uma arma nuclear. Assinado na Suíça, o pacto reabre o estratégico Estreito de Ormuz e suspende as sanções, permitindo que o petróleo iraniano volte ao mercado. A diplomacia de Trump desloca o foco de Israel para o Irã, alcançando um avanço histórico.
O rascunho vazado revela um acordo que favorece fortemente Teerã, com levantamento total das sanções, exportações de petróleo e acesso a ativos congelados, enquanto Washington obtém apenas a reafirmação de não produzir armas nucleares e um cessar-fogo. Especialistas estão céticos quanto à rápida reabertura do Estreito de Ormuz, e o próprio Irã considera o texto divulgado impreciso. O acordo, a ser assinado em Lucerna, é visto como uma concessão desequilibrada dos EUA.
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