
Acordo EUA-Irã gera rejeição em Israel e esperança cautelosa no Líbano
Anunciado por mediador paquistanês, o memorando prevê cessar-fogo em todas as frentes, mas ministro israelita de extrema-direita diz que Israel não está vinculado e continuará a ofensiva no Líbano.
O anúncio de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra no Médio Oriente, incluindo o Líbano, provocou de imediato uma rutura entre a rejeição frontal da ala mais radical do governo israelita e o acolhimento cauteloso em Beirute. O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, declarou que o acordo “não vincula” o Estado judaico e exigiu que a ofensiva contra o Hezbollah prossiga até ao desmantelamento total do grupo, sem retirada “de um único centímetro” do território já ocupado no sul libanês. A reação, divulgada no Telegram, foi a primeira de um responsável israelita e foi secundada por outro ministro da extrema-direita, expondo a fragilidade política interna que qualquer compromisso regional enfrenta em Jerusalém.
Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, sublinhou que o Líbano é “parte integrante” do entendimento e que o texto menciona três vezes o fim das hostilidades em todas as frentes, bem como o respeito pela soberania e integridade territorial libanesa. O Hezbollah saudou o acordo como uma “grande conquista”, fruto da “resistência lendária” do povo iraniano, e agradeceu ao Líder Supremo e aos Guardas da Revolução, ao mesmo tempo que advertiu Israel contra qualquer violação da soberania do Líbano. O Presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, também manifestaram apreço pelo memorando, destacando a cláusula que consagra o fim da agressão israelita. Contudo, uma fonte oficial libanesa revelou que Beirute não foi informada dos termos concretos nem do momento exato do cessar-fogo, o que introduz uma nota de ceticismo num cenário já de si volátil.
No terreno, a ambiguidade é palpável. Apesar dos avisos das autoridades do sul do Líbano para que os deslocados não regressassem precipitadamente, dezenas de automóveis carregados de colchões e malas atravessaram a ponte de Qasmiyeh em direção a Tiro, com ocupantes a exibir sinais de vitória. A agência noticiosa estatal libanesa reportou fogo de artilharia intermitente, mas nenhum ataque aéreo israelita na segunda-feira, e o Hezbollah não reivindicou novas ações contra Israel — um abaixamento do nível de violência que, ainda assim, não dissipa o receio de que a rejeição israelita mine o frágil equilíbrio.
A mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, com o apoio do Catar, da Arábia Saudita e do Egito, conferiu ao processo uma dimensão multilateral que transcende o eixo Teerão-Washington. Na perspetiva de Brasília, onde reside a maior diáspora libanesa fora do Líbano, o acordo é seguido com expectativa, mas também com a consciência de que a intransigência de setores israelitas pode adiar a estabilização de uma região com profundos laços afetivos e económicos com o Brasil. Observadores em Lisboa notam que a segurança no Mediterrâneo Oriental é vital para a estabilidade energética europeia, num momento em que as rotas de abastecimento continuam sob pressão.
Com a assinatura formal prevista para sexta-feira em Genebra, o Irã prometeu “monitorizar de perto” a situação no Líbano e usar “todos os meios necessários” para garantir o cumprimento do memorando. Resta saber se a oposição interna em Israel, combinada com a falta de informação detalhada por parte de Beirute, transformará este entendimento num ponto de viragem real ou apenas numa pausa precária antes de novos episódios de violência.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O entendimento entre Irã e EUA é celebrado como uma grande vitória, fruto da lendária firmeza do povo iraniano e de sua liderança sábia. O Hezbollah parabeniza Teerã por ter garantido um cessar-fogo abrangente que inclui explicitamente o Líbano, e o presidente do Parlamento libanês agradece ao Irã por ter inserido uma cláusula vinculante para deter a agressão israelense. O acordo é retratado como um avanço que preserva a soberania libanesa e encerra a guerra em todas as frentes.
O ministro israelense de extrema direita rejeita com raiva o acordo EUA-Irã, classificando-o como não vinculante e insistindo em continuar os ataques no Líbano. O Hezbollah saúda o entendimento, e o Irã promete monitorar a situação de perto. A narrativa retrata Israel como um sabotador da paz, determinado a prosseguir com a ofensiva apesar do entendimento internacional.
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