
Zelensky alega que Rússia prepara mais 30 mil soldados norte-coreanos e Irão ameaça resposta após ataque no Cáspio
Presidente ucraniano diz que Moscovo receberá novo contingente de Pyongyang, enquanto Teerão promete retaliação pela morte de um marinheiro num ataque a embarcação iraniana.
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou no sábado que a Rússia está a preparar a receção de cerca de 30 mil militares adicionais da Coreia do Norte, com infraestruturas já a ser adaptadas na região de Voronezh desde junho. A declaração coincidiu com a escalada de tensão entre Kiev e Teerão, depois de um ataque com drone ucraniano ter atingido uma embarcação comercial iraniana no mar Cáspio, causando a morte de um marinheiro. O Kremlin, pela voz do porta-voz Dmitri Peskov, recusou comentar as alegações, afirmando que “não cabe a Zelensky falar dos nossos planos”.
Segundo fontes de Kiev, a Coreia do Norte prepara igualmente o envio de novos lançadores de mísseis balísticos para apoiar a campanha militar russa. Em entrevista à Sky News, Zelensky justificou a ação contra o navio iraniano argumentando que o Irão “já nos atacou” ao fornecer milhares de drones Shahed e tecnologia à Rússia desde o primeiro ano da guerra. O Presidente ucraniano acrescentou que Pyongyang também participa no conflito com o envio de tropas e que é preciso “estar preparado para tudo”, embora espere que os ataques não aumentem. Moscovo reconheceu em abril de 2025 a presença de militares norte-coreanos em combates na região de Kursk, ao abrigo do tratado de parceria estratégica assinado no ano anterior.
Na perspetiva de Teerão, a ação ucraniana constitui uma violação da Carta das Nações Unidas e foi executada “por instigação de Israel” para arrastar a Europa para a guerra. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, comunicou à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, e ao homólogo russo, Serguei Lavrov, que o ato “não pode ficar sem resposta”. A embaixada iraniana em Varsóvia acusou Zelensky de seguir o exemplo de líderes israelitas que envolveram os Estados Unidos num conflito com o Irão e advertiu que “a contenção do Irão não é infinita”. Um membro da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano considerou que a Rússia deve ser a primeira a reagir, mas que o Irão responderá “no momento adequado”, sublinhando a importância de evitar que a insegurança se alastre ao mar Cáspio, vital para o abastecimento de bens essenciais ao país.
Analistas na Ásia Oriental avaliam que o envio de mais tropas norte-coreanas representa um acordo mutuamente vantajoso: Moscovo obtém soldados sem recorrer a uma mobilização em massa impopular, enquanto Pyongyang recebe divisas, alimentos, eletricidade e tecnologia militar. A confirmar-se, o novo contingente elevaria para cerca de 44 mil o total de efetivos norte-coreanos destacados desde o final de 2024. O dossiê permanece em aberto, com a Ucrânia a prometer novos ataques a alvos que considere ligados ao esforço de guerra russo e o Irão a advertir que a paciência estratégica tem limites, enquanto a Rússia mantém silêncio sobre os planos de cooperação militar com os seus aliados.
| Imprensa iraniana e afins | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa chinesa | +0.20 | neutral |
Iran accuses Ukraine of attacking an Iranian vessel and killing a sailor, and threatens retaliation if provocations continue. Tehran claims Zelensky is lying when he says Iran has not yet attacked, since supplying weapons to Russia already constitutes an act of war.
By reversing the accusation, Iran portrays itself as a victim and paints Ukraine as the aggressor, using the Caspian attack as evidence of hostility. It also equates arms supply to an act of war, thereby legitimizing its own stance.
Iran omits to mention that the Caspian attack might be a response to its drone supplies to Russia, and does not mention the evidence of arms deliveries presented by Ukraine.
Russia states that Zelensky has no authority to speak about Russian plans and that his statements are groundless. The Kremlin refuses to engage, implying it is a Ukrainian provocation.
Russia uses the 'no comment' technique to delegitimize the source, without directly denying, but raising doubts about Zelensky's credibility. This avoids confirmation or denial, maintaining ambiguity.
Russia omits to address the intelligence evidence cited by Zelensky and does not mention previous deployments of North Korean troops in Ukraine, already reported by Western sources.
Ukraine denounces Iran for supplying weapons to Russia and considers it already at war. Zelensky warns that Iran could open a new front and calls on Europe to be on alert.
Ukraine uses Zelensky's direct testimony to create a sense of urgency and legitimize its position, equating arms supply to an act of war. It also invokes European solidarity to isolate Iran.
Ukraine omits to mention that the attack on the Iranian vessel in the Caspian might have been an unprovoked action, and does not provide concrete evidence of Iranian arms deliveries beyond statements.
China observes that the deployment of North Korean troops to Russia could be a mutually beneficial deal, without moral judgment. The analysis focuses on geopolitical and military aspects.
China uses an analytical and detached approach, presenting the news as a strategic possibility rather than a threat. It frames the event in terms of realpolitik, normalizing the Russia-North Korea alliance.
China omits to consider the implications for regional security and violations of international sanctions, focusing only on bilateral benefits.
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