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Trump fustiga Netanyahu: ‘Israel não duraria duas horas’ perante Irão nuclear

Presidente dos EUA acusa primeiro-ministro israelita de pôr em risco o acordo de paz com Teerão e exige gratidão pela diplomacia americana, num momento de viragem na relação entre os dois aliados.

O cessar-fogo ainda mal se consolidara no terreno e já a retórica entre Washington e Tel Aviv atingia um dos seus pontos mais ásperos. Numa entrevista ao New York Times, o presidente Donald Trump apelidou Benjamin Netanyahu de “pessoa muito difícil” e lembrou que, sem a intervenção diplomática americana, Israel simplesmente deixaria de existir. “Se o Irão tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas”, afirmou, exigindo que o primeiro-ministro israelita se mostrasse “muito grato” pelo acordo que afasta Teerão da capacidade atómica. A fúria de Trump ganhou contornos ainda mais crus numa conversa com a Axios, onde admitiu ter ficado “furioso” com um ataque israelita ao Líbano que, na sua leitura, comprometeu a assinatura de um memorando com o Irão. “Porque é que o Bibi teve de fazer um maldito ataque? Não tem um pingo de juízo”, terá dito, numa escalada verbal impensável há poucos meses.

A investida contra Netanyahu surge no rescaldo de um acordo de paz minuciosamente costurado com o Irão, destinado a congelar o programa nuclear de Teerão em troca do alívio de sanções. Durante as negociações, Trump elogiou os papéis “construtivos” de Vladimir Putin e de Xi Jinping, que terão ajudado a evitar uma escalada no bloqueio do Estreito de Ormuz e criado condições para o entendimento. Contudo, as sucessivas incursões israelitas no Líbano — a mais recente na manhã de domingo, 14 de junho — violaram o pedido expresso da Casa Branca e, segundo o presidente americano, estiveram a ponto de deitar tudo a perder. A linha de Washington é agora dupla: nem mais ataques de Israel em território libanês, nem ofensivas do Hezbollah contra o Estado judaico.

A crispação mútua expõe uma aliança estratégica que entrou em território de desconfiança aberta. Até há semanas, o eixo Trump-Netanyahu era apresentado como monolítico; hoje, as palavras do presidente americano sugerem que a paciência da administração se esgotou perante o que vê como aventureirismo militar de Tel Aviv. A insistência de Netanyahu em prosseguir a guerra, mesmo quando a diplomacia começava a dar frutos, é lida em Washington como um obstáculo à estabilização do Médio Oriente. O próprio Trump vincou que Israel se tornou o maior beneficiário do pacto com o Irão, pois fica a salvo de um adversário que já possuía urânio quase ao nível de uso militar.

Para os observadores lusófonos, o episódio ecoa de forma distinta, mas igualmente preocupada. Em Brasília, diplomatas acompanham o desenlace com atenção aos preços do petróleo e aos equilíbrios dos BRICS — bloco onde a Rússia de Putin e a China de Xi são parceiros centrais do Brasil. A perspetiva de um estreitamento de eixos entre Washington, Moscovo e Pequim, ainda que pontual, introduz uma geometria imprevisível nas relações internacionais. Em Lisboa, analistas sublinham o receio de que o isolamento de Israel mine a já frágil arquitetura de segurança europeia, que depende de um Mediterrâneo estabilizado. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, onde a proximidade com o mundo árabe e com o Irão é relevante em sectores como energia e comércio, a esperança de que o acordo reduza o risco de um conflito regional alargado convive com o cepticismo sobre a sua durabilidade. A grande incógnita, partilhada em todas estas capitais, é se o rasgão entre a Casa Branca e o gabinete de Netanyahu se transformará numa nova pressão para que Israel redefina a sua doutrina de segurança — ou se, pelo contrário, aprofundará a imprevisibilidade numa região onde as tréguas raramente sobrevivem à retórica dos líderes.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Após o acordo de paz com o Irã, Trump criticou duramente Netanyahu, chamando-o de pessoa muito difícil e enfatizando que Israel deveria ser grato. Ele lembrou que o ataque israelense ao Líbano no domingo, 14 de junho, ocorreu durante as delicadas negociações e não deveria ter acontecido. Se o Irã tivesse uma arma nuclear, alertou, Israel não duraria duas horas.

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allarmeironia

A relação entre Trump e Netanyahu entrou numa fase de profunda desconfiança, com o presidente americano a extravasar em privado a sua fúria com insultos vulgares. Trump disse que ficou furioso por Netanyahu ter lançado um ataque irrefletido contra o Líbano, sem juízo, e que lho comunicou sem rodeios. Acrescentou que sem a intervenção americana sobre o Irão, Israel simplesmente não existiria.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Trump fustiga Netanyahu: ‘Israel não duraria duas horas’ perante Irão nuclear

Presidente dos EUA acusa primeiro-ministro israelita de pôr em risco o acordo de paz com Teerão e exige gratidão pela diplomacia americana, num momento de viragem na relação entre os dois aliados.

O cessar-fogo ainda mal se consolidara no terreno e já a retórica entre Washington e Tel Aviv atingia um dos seus pontos mais ásperos. Numa entrevista ao New York Times, o presidente Donald Trump apelidou Benjamin Netanyahu de “pessoa muito difícil” e lembrou que, sem a intervenção diplomática americana, Israel simplesmente deixaria de existir. “Se o Irão tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas”, afirmou, exigindo que o primeiro-ministro israelita se mostrasse “muito grato” pelo acordo que afasta Teerão da capacidade atómica. A fúria de Trump ganhou contornos ainda mais crus numa conversa com a Axios, onde admitiu ter ficado “furioso” com um ataque israelita ao Líbano que, na sua leitura, comprometeu a assinatura de um memorando com o Irão. “Porque é que o Bibi teve de fazer um maldito ataque? Não tem um pingo de juízo”, terá dito, numa escalada verbal impensável há poucos meses.

A investida contra Netanyahu surge no rescaldo de um acordo de paz minuciosamente costurado com o Irão, destinado a congelar o programa nuclear de Teerão em troca do alívio de sanções. Durante as negociações, Trump elogiou os papéis “construtivos” de Vladimir Putin e de Xi Jinping, que terão ajudado a evitar uma escalada no bloqueio do Estreito de Ormuz e criado condições para o entendimento. Contudo, as sucessivas incursões israelitas no Líbano — a mais recente na manhã de domingo, 14 de junho — violaram o pedido expresso da Casa Branca e, segundo o presidente americano, estiveram a ponto de deitar tudo a perder. A linha de Washington é agora dupla: nem mais ataques de Israel em território libanês, nem ofensivas do Hezbollah contra o Estado judaico.

A crispação mútua expõe uma aliança estratégica que entrou em território de desconfiança aberta. Até há semanas, o eixo Trump-Netanyahu era apresentado como monolítico; hoje, as palavras do presidente americano sugerem que a paciência da administração se esgotou perante o que vê como aventureirismo militar de Tel Aviv. A insistência de Netanyahu em prosseguir a guerra, mesmo quando a diplomacia começava a dar frutos, é lida em Washington como um obstáculo à estabilização do Médio Oriente. O próprio Trump vincou que Israel se tornou o maior beneficiário do pacto com o Irão, pois fica a salvo de um adversário que já possuía urânio quase ao nível de uso militar.

Para os observadores lusófonos, o episódio ecoa de forma distinta, mas igualmente preocupada. Em Brasília, diplomatas acompanham o desenlace com atenção aos preços do petróleo e aos equilíbrios dos BRICS — bloco onde a Rússia de Putin e a China de Xi são parceiros centrais do Brasil. A perspetiva de um estreitamento de eixos entre Washington, Moscovo e Pequim, ainda que pontual, introduz uma geometria imprevisível nas relações internacionais. Em Lisboa, analistas sublinham o receio de que o isolamento de Israel mine a já frágil arquitetura de segurança europeia, que depende de um Mediterrâneo estabilizado. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, onde a proximidade com o mundo árabe e com o Irão é relevante em sectores como energia e comércio, a esperança de que o acordo reduza o risco de um conflito regional alargado convive com o cepticismo sobre a sua durabilidade. A grande incógnita, partilhada em todas estas capitais, é se o rasgão entre a Casa Branca e o gabinete de Netanyahu se transformará numa nova pressão para que Israel redefina a sua doutrina de segurança — ou se, pelo contrário, aprofundará a imprevisibilidade numa região onde as tréguas raramente sobrevivem à retórica dos líderes.

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Após o acordo de paz com o Irã, Trump criticou duramente Netanyahu, chamando-o de pessoa muito difícil e enfatizando que Israel deveria ser grato. Ele lembrou que o ataque israelense ao Líbano no domingo, 14 de junho, ocorreu durante as delicadas negociações e não deveria ter acontecido. Se o Irã tivesse uma arma nuclear, alertou, Israel não duraria duas horas.

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A relação entre Trump e Netanyahu entrou numa fase de profunda desconfiança, com o presidente americano a extravasar em privado a sua fúria com insultos vulgares. Trump disse que ficou furioso por Netanyahu ter lançado um ataque irrefletido contra o Líbano, sem juízo, e que lho comunicou sem rodeios. Acrescentou que sem a intervenção americana sobre o Irão, Israel simplesmente não existiria.

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