
Trump ameaça Canadá com tarifas adicionais por fumo de incêndios florestais
Presidente dos EUA acusa Ottawa de negligência na gestão florestal e promete repercutir custos da poluição atmosférica que afeta cidades americanas e a final do Mundial de futebol.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na sexta-feira impor novas tarifas aduaneiras ao Canadá, responsabilizando o país vizinho pelo fumo de centenas de incêndios florestais que cobre vastas regiões do Meio-Oeste e do Nordeste americano. Numa publicação na rede Truth Social, Trump acusou Ottawa de “negligência deliberada” na manutenção das florestas e matas, classificando a qualidade do ar como “perigosa e totalmente inaceitável”. O custo desta poluição, afirmou, “deve necessariamente ser acrescentado às tarifas que o Canadá já paga”. A ameaça surge num momento em que mais de 900 fogos ativos no Canadá, sobretudo na província de Ontário, geraram nuvens de fumo que levaram Detroit, Chicago, Washington e Nova Iorque a registar alguns dos piores índices de qualidade do ar do mundo, segundo o rastreador IQAir.
Do lado canadiano, a ministra da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, sublinhou que o país investiu 12 mil milhões de dólares canadianos em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios desde 2020 e recordou a “longa história de colaboração” entre os dois países no combate aos fogos florestais. O primeiro-ministro Mark Carney, que deverá encontrar-se com Trump na final do Campeonato do Mundo de futebol no domingo, em Nova Jérsia, já tinha afirmado que o combate às alterações climáticas é “responsabilidade de todos os países, incluindo os Estados Unidos”. O governador do Ontário, Doug Ford, pediu a Washington que enviasse apoio no terreno em vez de críticas, lembrando que o Canadá fez o mesmo pelos “amigos americanos” em emergências passadas. Cientistas e agências como o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus atribuem a intensidade e a recorrência dos incêndios sobretudo às alterações climáticas, que prolongam as estações secas e aumentam a temperatura do solo, e não apenas a falhas de gestão florestal.
A crise de poluição atmosférica gerou preocupação entre os organizadores do Mundial de futebol, cuja final entre Argentina e Espanha está marcada para domingo no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jérsia. O diretor-executivo da task force da Casa Branca para o torneio, Andrew Giuliani, afirmou que as autoridades estão a “monitorizar de perto” a qualidade do ar e que foram avaliados planos de contingência. O embaixador dos EUA no Canadá, Pete Hoekstra, admitiu que, se a poluição representar um perigo para jogadores ou adeptos, o próprio Presidente Trump será o primeiro a pedir o adiamento do jogo. Meteorologistas preveem uma melhoria gradual com a chegada de sistemas de tempestade, mas mantêm a incerteza sobre a possibilidade de novas vagas de fumo no domingo.
A ameaça tarifária insere-se num quadro de tensão comercial e diplomática entre Washington e Ottawa, agravado desde que a administração Trump impôs taxas sobre importações canadianas e o Presidente sugeriu, por diversas vezes, a anexação do Canadá como 51.º estado. A capacidade de Trump para decretar novas tarifas foi, contudo, limitada por uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA que travou o recurso a poderes de emergência económica. Paralelamente, congressistas republicanos do Michigan enviaram uma carta a Carney exigindo ação imediata, afirmando que “os pulmões americanos estão a pagar o preço da inação canadiana, ano após ano”. Na perspetiva de analistas em Brasília e Lisboa, o episódio ilustra a crescente instrumentalização de fenómenos ambientais transfronteiriços em disputas comerciais, com potenciais implicações para a cooperação multilateral em matéria de clima.
Até ao momento, o gabinete de Carney não respondeu formalmente à ameaça tarifária. A troca de declarações deverá prosseguir no encontro bilateral previsto para domingo, à margem da final do Mundial. Entretanto, as autoridades canadianas mantêm o foco na evacuação de comunidades ameaçadas e no reforço dos meios aéreos de combate, enquanto as agências meteorológicas continuam a atualizar as previsões de dispersão do fumo para os próximos dias.
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
Europe sees the wildfires as a climate crisis, not a Canadian failure. Trump's tariff threat is a dangerous distraction from the real problem.
By attributing the fires to climate change, the narrative shifts responsibility away from Canada and onto a global issue, making Trump's unilateral blame seem irrational.
Omits the specific accusations of Canadian negligence and the fact that many fires are out of control, which would support Trump's argument.
A América Latina questiona a legitimidade de Trump e sua acusação. O ex-presidente usa a fumaça como pretexto para uma guerra comercial.
Ao se referir a Trump como 'ex-presidente' e usar 'suposta', a narrativa lança dúvidas sobre sua autoridade e a validade de suas alegações, enquadrando a ameaça tarifária como ilegítima.
Omite que Trump é o presidente atual e a gravidade da crise de qualidade do ar, o que daria credibilidade à sua resposta.
The United States holds Canada accountable for the smoke pollution. Trump's tariff threat is a justified response to Canada's negligence.
By focusing on the direct health impact on Americans and quoting Trump's strong language, the narrative creates urgency and normalizes trade retaliation as a legitimate tool.
Omits the climate change context and Canada's request for US assistance, which would complicate the blame narrative.
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