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Ciência e Saúdesábado, 25 de julho de 2026

Surto de Ébola na RDC atinge quase 3.000 casos e greve agrava resposta

Com 1.309 mortes, epidemia causada pela estirpe Bundibugyo avança rapidamente no leste do país, enquanto a violência e a desconfiança dificultam o controlo e os profissionais de saúde exigem salários em atraso.

A República Democrática do Congo (RDC) contabiliza já 2.973 casos confirmados de Ébola e 1.309 mortes, num surto que se tornou o de progressão mais rápida de que há registo. No epicentro da epidemia, em Bunia, província de Ituri, cerca de uma centena de profissionais de saúde do centro de tratamento Elikya entraram em greve no sábado, exigindo o pagamento de dois meses de prémios de desempenho. A paralisação interrompeu os cuidados aos doentes e alastrou ao hospital geral da cidade, cujos funcionários também reclamam salários em atraso.

A atual epidemia, a 17.ª no país, é causada pela estirpe Bundibugyo, variante rara para a qual não há vacinas nem tratamentos aprovados. A taxa de letalidade global ronda os 44%, mas atinge 63% no Kivu do Norte, onde a violência armada dificulta a resposta. Mais de 25 mil pessoas fugiram dos combates para a cidade de Beni, e ataques de grupos armados mataram pelo menos 60 civis desde meados de julho. Organizações humanitárias suspenderam deslocações, comprometendo a vigilância de contactos — que se mantém abaixo de 74% — e o rastreio de casos suspeitos, frequentemente escondidos pelas comunidades.

Perante a ausência de imunizantes, a única esperança terapêutica reside num ensaio clínico de dois tratamentos experimentais, recentemente iniciado em Ituri. O diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, alertou que faltam vacinas, tratamentos e financiamento. A OMS considera baixo o risco de propagação global, mas a conjugação da greve, da insegurança e da desconfiança popular mantém a resposta sob pressão. O próximo marco será a continuidade do ensaio clínico e a capacidade de retomar a vigilância ativa nas zonas afetadas, enquanto o surto se alastra por cinco províncias.

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sábado, 25 de julho de 2026

Surto de Ébola na RDC atinge quase 3.000 casos e greve agrava resposta

Com 1.309 mortes, epidemia causada pela estirpe Bundibugyo avança rapidamente no leste do país, enquanto a violência e a desconfiança dificultam o controlo e os profissionais de saúde exigem salários em atraso.

A República Democrática do Congo (RDC) contabiliza já 2.973 casos confirmados de Ébola e 1.309 mortes, num surto que se tornou o de progressão mais rápida de que há registo. No epicentro da epidemia, em Bunia, província de Ituri, cerca de uma centena de profissionais de saúde do centro de tratamento Elikya entraram em greve no sábado, exigindo o pagamento de dois meses de prémios de desempenho. A paralisação interrompeu os cuidados aos doentes e alastrou ao hospital geral da cidade, cujos funcionários também reclamam salários em atraso.\n\nA atual epidemia, a 17.ª no país, é causada pela estirpe Bundibugyo, variante rara para a qual não há vacinas nem tratamentos aprovados. A taxa de letalidade global ronda os 44%, mas atinge 63% no Kivu do Norte, onde a violência armada dificulta a resposta. Mais de 25 mil pessoas fugiram dos combates para a cidade de Beni, e ataques de grupos armados mataram pelo menos 60 civis desde meados de julho. Organizações humanitárias suspenderam deslocações, comprometendo a vigilância de contactos — que se mantém abaixo de 74% — e o rastreio de casos suspeitos, frequentemente escondidos pelas comunidades.\n\nPerante a ausência de imunizantes, a única esperança terapêutica reside num ensaio clínico de dois tratamentos experimentais, recentemente iniciado em Ituri. O diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, alertou que faltam vacinas, tratamentos e financiamento. A OMS considera baixo o risco de propagação global, mas a conjugação da greve, da insegurança e da desconfiança popular mantém a resposta sob pressão. O próximo marco será a continuidade do ensaio clínico e a capacidade de retomar a vigilância ativa nas zonas afetadas, enquanto o surto se alastra por cinco províncias.

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