
Sismo de magnitude 6,7 atinge Sulawesi e reaviva trauma do tsunami de 2018
Abalo sísmico causou danos em edifícios, evacuou hospitais e gerou pânico em Palu, mas sem risco de tsunami; oito feridos e dezenas de réplicas.
Um terramoto de magnitude 6,7 abalou a ilha indonésia de Sulawesi na manhã de terça-feira, 16 de junho de 2026, com epicentro a cerca de 42 quilómetros a sudeste de Palu, capital da província de Sulawesi Central. O sismo, registado às 10h27 WIB (11h27 locais) a apenas 10 quilómetros de profundidade, foi fortemente sentido em Palu, Sigi, Parigi Moutong e Donggala, desencadeando cenas de pânico e a evacuação em massa de hospitais. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) confirmou que o abalo, de origem tectónica e associado à atividade da falha de Sausu — distinta da falha de Palu-Koro que devastou a região em 2018 —, não apresentava potencial tsunamigénico, uma vez que o epicentro se situava em terra firme.
A memória do sismo de magnitude 7,5 e do subsequente tsunami que mataram milhares de pessoas há oito anos amplificou o temor da população. Em Palu, cidade com cerca de 400 mil habitantes, doentes foram retirados às pressas de unidades como o Hospital Samaritan, o RSUD Anutapura e o Hospital Undata, muitos ainda com soros intravenosos, enquanto recém-nascidos eram transportados para áreas abertas. Em Sigi, oito pessoas ficaram feridas — duas com fraturas e traumatismos cranianos devido a desabamentos — e deslizamentos de terra isolaram troços da estrada Sigi-Napu. O edifício da administração distrital de Sigi sofreu o colapso do teto falso, e o auditório da Universidade Tadulako, em Palu, registou danos estruturais.
A resposta das autoridades foi imediata. O governador de Sulawesi Central, Anwar Hafid, que se encontrava em Jacarta, instruiu as equipas de emergência a dar prioridade à segurança da população, enquanto a Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB) e as unidades locais montavam tendas de campanha junto a hospitais e ativavam postos de coordenação. A ponte Palu III foi encerrada temporariamente por precaução, e o terminal de contentores de Pantoloan suspendeu operações para inspeção. Nas horas seguintes, a BMKG registou mais de 40 réplicas, a maior de magnitude 5,2, mantendo a população em alerta e provocando longas filas nas gasolineiras, num reflexo do medo de novo agravamento.
Observadores em Lisboa e Brasília acompanham o evento com a atenção que a região do Anel de Fogo do Pacífico habitualmente exige. A Indonésia, arquipélago situado sobre algumas das placas tectónicas mais ativas do planeta, regista anualmente milhares de sismos, muitos deles de baixa intensidade, mas a proximidade temporal com a catástrofe de 2018 confere a este episódio uma carga simbólica particular. Especialistas brasileiros do Centro de Sismologia da USP sublinham que, embora a magnitude de 6,7 seja considerável, a profundidade reduzida e a localização em terra explicam a perceção de forte abalo sem a devastação generalizada de então.
Apesar de não terem sido reportadas vítimas mortais até ao final do dia, o saldo de danos materiais e o impacto psicológico sobre uma comunidade ainda em recuperação são significativos. A BMKG mantém a monitorização da atividade sísmica e afasta, para já, o risco de liquefação do solo semelhante ao de 2018, mas adverte que réplicas podem prosseguir por vários dias. A prioridade das equipas no terreno continua a ser a avaliação estrutural de edifícios e a garantia de abastecimento de água e eletricidade, enquanto a população de Sulawesi Central se confronta, uma vez mais, com a imprevisibilidade da terra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa local retrata o pânico e a evacuação de pacientes dos hospitais, com cenas vívidas de pessoas correndo para fora. As autoridades confirmam que não há ameaça de tsunami, mas o foco está no forte tremor e na resposta rápida para colocar os pacientes em segurança. A narrativa é urgente e centrada na comunidade.
A mídia russa ignorou o terremoto na Indonésia, reportando em vez disso eventos sísmicos menores na Mongólia e em Cuba. A cobertura é distanciada e pragmática, limitada a tremores perto das fronteiras russas ou em locais incomuns, negligenciando completamente o grande evento no Sudeste Asiático.