
Ruben Amorim no Milan, Benhachem no Egito e Obradovic em Jerusalém: a dança dos treinadores
Uma semana de mudanças técnicas de relevo na Europa, África e Médio Oriente, com Ruben Amorim no Milan, Mohamed Benhachem no Modern Sport e Sasa Obradovic no Hapoel Jerusalém.
O Milan de Gerry Cardinale pôs fim a semanas de incerteza e confirmou o português Ruben Amorim como sucessor de Massimiliano Allegri. De acordo com a imprensa italiana e lusa, o ex-técnico do Sporting e do Manchester United aceitou um vínculo de duas épocas, até junho de 2028, com opção de prolongamento por mais um ano, auferindo um salário líquido a rondar os 3,5 milhões de euros anuais, acrescidos de prémios por títulos e pelo regresso à Liga dos Campeões. Amorim, que espera apenas a aprovação final do proprietário, representará uma aposta na construção de um projeto de futebol organizado, com defesa a três e forte aposta na juventude, traços que a direção rossonera valorizou após o «não» de Ralf Rangnick ao cargo de diretor desportivo.
Na perspetiva de Lisboa, a escolha de Amorim pelo clube lombardo surge como uma oportunidade de reabilitação para um treinador que viu a sua cotação baixar após uma passagem discreta por Old Trafford. Analistas portugueses sublinham que, antes do desgaste inglês, o técnico erguera o Sporting a um patamar de competitividade europeia, impondo um estilo de jogo intenso e uma leitura tática refinada. A imprensa italiana, por seu turno, destaca que a revolução no organigrama rossonero inclui também a chegada de um novo diretor técnico e de um diretor desportivo, num processo de “azzeramento” da área desportiva que visa relançar um clube afastado há duas temporadas da principal prova continental.
Enquanto a Europa acompanha o desfecho milanês, o mercado africano de treinadores regista um movimento simbólico. O Modern Sport, da primeira divisão egípcia, contratou o marroquino Mohamed Amine Benhachem por uma temporada. Comunicados do clube citados por meios de comunicação marroquinos e egípcios justificam a aposta na “escola marroquina”, cujo sucesso recente — incluindo o percurso do Wydad Casablanca sob o seu comando, apesar da eliminação nos quartos de final da Taça da Confederação — tem vindo a despertar interesse nos campeonatos vizinhos. A nomeação ocorre dias depois de o treinador Rida Shehata ter rescindido amigavelmente, o que revela a volatilidade do cargo e a procura de referências técnicas do Magrebe no universo futebolístico árabe.
O basquetebol também assistiu a uma contratação de peso. O Hapoel Jerusalém oficializou a chegada do sérvio Sasa Obradovic com um contrato de três épocas. A imprensa desportiva israelita recorda o currículo de Obradovic, que conta com passagens de destaque pelo Mónaco — onde conduziu a equipa à Final Four da Euroliga em 2023 —, pelo Estrela Vermelha de Belgrado e pelo Alba Berlim, acumulando títulos em França, na Alemanha e na Rússia. Apesar de uma temporada aquém do esperado no Estrela Vermelha, a sua experiência é vista como um trunfo para estabilizar o projeto do clube de Jerusalém.
Num olhar de conjunto, estas nomeações evidenciam a crescente mobilidade transcontinental de técnicos e a diluição de fronteiras nos mercados desportivos. Do futebol italiano ao egípcio, do basquetebol israelita à influência lusófona que se expande, a geografia das nomeações reflete não só a pressa dos dirigentes por resultados, mas também a existência de redes de conhecimento cada vez mais interligadas. Resta saber se Amorim conseguirá devolver o Milan à elite, se Benhachem consolidará a pegada marroquina no Egito e se Obradovic repetirá em Jerusalém os feitos que o tornaram um nome respeitado no basquetebol europeu.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um veículo desportivo nigeriano noticia que o treinador português Ruben Amorim está prestes a assinar um contrato de dois anos com o AC Milan. A notícia é um resumo neutro e distanciado da imprensa europeia, sem qualquer ângulo ou comentário local.
A imprensa italiana e alemã retrata uma caótica e longa procura por um treinador no AC Milan, finalmente encerrada com a contratação de Ruben Amorim. As notícias transmitem alarme e cepticismo face à direcção do clube, salientando a turbulência que se seguiu ao despedimento de Allegri e à falha da Liga dos Campeões, enquanto sugerem um abalo paralelo na estrutura directiva envolvendo o director desportivo do Eintracht Frankfurt.
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