
Petro pede revisão de entrada de americanos após abuso infantil e ataca política fiscal argentina
Presidente colombiano reage à prisão de cidadão dos EUA em Bogotá e critica Milei, enquanto chanceler argentino responde com desdém.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, exigiu a revisão dos procedimentos de ingresso de cidadãos norte-americanos no país, depois da detenção de um homem do Texas acusado de abusar sexualmente de um menino de sete anos em plena luz do dia, numa varanda de Bogotá. O caso, captado em vídeo que circulou amplamente nas redes sociais, provocou indignação e levou Petro a declarar que a Colômbia deve ser respeitada como nação soberana. “Devem falar de igual para igual e aceitar as nossas regras no nosso país, tal como nós devemos respeitar as deles quando vamos aos Estados Unidos; e uma regra é respeitar as mulheres e as crianças, respeitar a natureza e a vida”, escreveu na rede social X.
O suspeito, de 36 anos, tinha chegado a Bogotá num voo a 6 de junho, segundo a autoridade migratória colombiana. Transeuntes gritaram ao presenciar a cena e a polícia efetuou a captura no domingo. Não é a primeira vez que um turista estrangeiro é acusado de crimes sexuais contra menores no país, o que reacendeu o debate sobre proteção infantil e controlo migratório. A reação de Petro insere-se num padrão de afirmação da dignidade nacional que, desde o início do seu mandato em 2022, tem gerado atritos constantes com o setor privado colombiano — em reformas estruturais, intervenções estatais e tom de confronto político — e agora se projeta com mais intensidade na arena diplomática.
Quase em simultâneo, Petro envolveu-se noutro embate internacional ao partilhar um relatório da teleSUR que indicava que, na Argentina, os setores de menores rendimentos enfrentam uma carga tributária de 36%, enquanto os mais ricos pagam cerca de 26%. “Olhem o que se passa na Argentina, os trabalhadores pagam mais do que os ricos”, comentou, acrescentando que essa situação se repetirá “se acreditarem na estupidez de prometer baixar impostos”. A resposta do chanceler argentino, Pablo Quirno, foi cortante: “Sete dias para que seja história”, numa alusão ao tempo restante de mandato do presidente colombiano. O choque expõe a distância ideológica entre o governo de esquerda de Petro e a administração libertária de Javier Milei, e ecoa a retórica de soberania que o líder colombiano tem usado para se posicionar no tabuleiro regional.
Na perspetiva de Brasília, a postura de Petro pode encontrar simpatia em setores progressistas, mas arrisca deteriorar relações com Washington, parceiro estratégico em matéria de cooperação e comércio. Observadores em Lisboa notam que estes episódios refletem cálculos políticos internos: com índices de aprovação em baixa e um congresso fragmentado, o presidente colombiano recorre a um discurso nacionalista e de defesa dos mais vulneráveis para mobilizar a sua base. A proposta de rever a entrada de norte-americanos poderá traduzir-se em restrições de vistos, com potenciais consequências para o turismo e os negócios.
À medida que o mandato de Petro se aproxima do seu último ano, a tendência é que a retórica de soberania e justiça social se intensifique. O Departamento de Estado norte-americano ainda não comentou o pedido de revisão migratória, mas o desfecho do caso de abuso em Bogotá será observado com atenção, pois pode influenciar políticas bilaterais e a perceção pública em ambos os países. O entrechoque com a Argentina, por seu lado, sublinha a volatilidade da diplomacia latino-americana num momento de reconfiguração de alianças e de crescente polarização ideológica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após a prisão de um cidadão americano por abuso infantil em Bogotá, o presidente Petro exige a revisão dos procedimentos de entrada para norte-americanos. A Colômbia deve ser respeitada como nação soberana, e os visitantes precisam aceitar suas regras e proteger a dignidade dos mais vulneráveis. O caso reforça a necessidade de defender a soberania nacional contra a arrogância externa.
Enquanto Petro usava um caso de abuso para exigir controles mais rígidos sobre cidadãos americanos, seu ataque simultâneo à política tributária argentina provocou uma resposta zombeteira de Buenos Aires. O chanceler Quirno respondeu com ironia, sugerindo que Petro tem apenas sete dias antes de virar história. O governo argentino retrata o presidente colombiano como uma figura em declínio, cujo intervencionismo é rejeitado por governos orientados ao mercado.
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