
Multas, guinchos e câmeras: o cerco global aos infratores do trânsito
De São Paulo a Berlim, novas regras e fiscalização intensa transformam a relação entre condutores e o espaço urbano, com custos que chegam a milhares de euros ou pesos.
Em uma rua do centro de São Paulo, um entregador desliga o motor elétrico da sua “cinquentinha” e apoia o veículo na calçada para concluir uma entrega. Minutos depois, um agente da Polícia Militar de Trânsito aproxima-se, constata a ausência de placa e de habilitação e aciona o guincho. A cena, repetida 449 vezes na capital paulista apenas nos primeiros seis meses do ano, materializa o endurecimento da fiscalização sobre ciclomotores, que desde janeiro passaram a exigir emplacamento e carteira de motorista, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito.
Não se trata de um fenômeno isolado. Em Teerã, a polícia de trânsito registrou mais de 441 mil infrações de motociclistas neste ano, a maioria por falta de capacete, e passou a recolher os veículos por uma semana na primeira ocorrência e por um mês na reincidência. Em Berlim, uma rede de cerca de 150 câmeras fixas e móveis flagrou excessos de velocidade e avanços de sinal que renderam ao erário 38 milhões de euros em 2025 — valor que, convertido, ultrapassa os 550 crores de takas, como noticiou a imprensa de Bangladesh, surpresa com a arrecadação proveniente de uma única cidade.
Na província de Buenos Aires, o aperto regulatório atinge em cheio os profissionais do volante. A nova licença de condução interjurisdicional, que unificou as categorias C, D e E, passou a exigir exames psicofísicos e cursos em prestadores privados, elevando o custo do trâmite de 22 mil para 294 mil pesos — um salto de mais de 1200%. Motoristas de ônibus, caminhoneiros e condutores de aplicativos queixam-se de que a ferramenta de trabalho se tornou um luxo burocrático. “O carnet profissional não é um trâmite a mais, é a ferramenta de trabalho de milhares de bonaerenses”, resumiu um representante do setor. Ao mesmo tempo, circular sem a Verificação Técnica Veicular pode gerar multas de até 2,2 milhões de pesos, valor que se atualiza a cada dois meses conforme o preço da gasolina premium.
Apesar das diferenças locais, um fio comum percorre essas iniciativas: a tecnologia como mediadora da disciplina viária. Em Berlim, as câmeras não têm como objetivo principal arrecadar, mas sim reduzir acidentes, ainda que o montante recolhido seja expressivo. Em São Paulo, a fiscalização de ciclomotores só se tornou viável após a integração de bases de dados e a definição clara de categorias, diferenciando-os de bicicletas elétricas e patinetes. Na perspetiva de Brasília, a regulação dos autopropelidos ainda engatinha, mas a consulta pública encerrada em junho pela prefeitura paulistana sinaliza que o debate sobre a convivência entre diferentes veículos na mesma infraestrutura está longe de terminar.
Ao cair da tarde, o rapaz da rua central observa o guincho desaparecer com sua fonte de renda. A poucos metros, um radar fixo emite um clarão silencioso, registrando mais uma placa em excesso de velocidade. O estalo da multa, seja em euros, pesos ou tomans, ecoa como a nova trilha sonora das metrópoles que tentam domar o caos sobre rodas.
| Imprensa iraniana e afins | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.10 | neutral |
A polícia de trânsito de Teerã, apoiada pelo Estado, apresenta os motociclistas como uma ameaça constante e justifica multas severas para proteger a segurança pública.
A enumeração detalhada de dezenas de tipos de infrações normaliza a ideia de que cada infração é grave e que a repressão é a única resposta razoável.
Não menciona o impacto econômico das multas sobre os motociclistas, nem o fato de que em outras cidades as penalidades são frequentemente vistas como fonte de receita, não apenas segurança.
Os motoristas e a oposição criticam o governo por aumentos repentinos e caros, classificando as novas regras como um fardo injusto para trabalhadores e cidadãos.
A repetição de altos percentuais de aumento (1200%) e valores absolutos (milhões de pesos) cria uma sensação de exorbitância, deslocando o debate da segurança para a acessibilidade econômica.
Não considera os potenciais benefícios de segurança no trânsito ou a redução de acidentes que essas medidas podem trazer.
A agência de notícias sul-asiática relata os dados das multas de Berlim como informação neutra, enfatizando que o objetivo é a segurança, não o lucro.
Ao converter o valor em uma moeda local muito grande (550 bilhões de takas) e declarar imediatamente que a receita não é o objetivo, ela desmonta preventivamente qualquer acusação implícita de ganância, fazendo o sistema parecer virtuoso.
Não discute se as multas são proporcionais ou podem afetar desproporcionalmente grupos de baixa renda, nem compara a eficácia com outras cidades.
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