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Morre Taty Almeida, a voz incansável das Mães da Praça de Maio que desafiou a ditadura argentina

Presidente da linha fundadora do movimento faleceu aos 95 anos, deixando um legado de resistência que ecoa muito além das fronteiras da Argentina.

A ativista Lidia Stella Mercedes Miy Uranga de Almeida, conhecida como Taty Almeida, morreu no domingo aos 95 anos, em Buenos Aires, após uma vida dedicada à busca por justiça e memória. O velório, realizado na sede do sindicato Foetra, no bairro de Balvanera, reuniu centenas de pessoas de diferentes gerações — políticos, sindicalistas, artistas e militantes de direitos humanos — que se despediram diante de um caixão fechado, ladeado por uma fotografia sorridente da dirigente e por uma barreira coberta de lenços brancos, símbolo maior da resistência das Madres de Plaza de Mayo. A família pediu que, em vez de flores, fossem feitas doações, gesto que reflete o espírito de uma mulher que transformou a dor pessoal em luta coletiva.

Taty Almeida ingressou no movimento em 1979, quatro anos após o sequestro e desaparecimento do filho Alejandro, então com 20 anos, por um grupo paramilitar anticomunista. A sua história confunde-se com a da própria Argentina: filha de militares, rompeu com o silêncio da sua classe para se tornar uma das figuras mais queridas e tenazes da defesa dos direitos humanos. A sua frase de incentivo — “Repitam bem alto: se as Madres conseguiram, por que não nós?” — tornou-se um mantra para quem fraquejava. A associação que presidia destacou, em comunicado, que ela ensinou que “amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor”.

A despedida foi também palco de tensão política. Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, afirmou que o governo de Javier Milei “deve estar brindando” à morte de Almeida, acrescentando que “nos odeiam”. A declaração expõe o clima de confronto que marca a Argentina atual, onde o negacionismo em relação aos crimes da ditadura (1976-1983) ganhou espaço institucional. A própria Taty Almeida travava, nos últimos anos, uma batalha contra o revisionismo oficial, num momento em que as fundadoras do movimento vão desaparecendo e a transmissão do testemunho às novas gerações se torna urgente.

Na perspetiva de Brasília, a trajetória de Almeida dialoga diretamente com a memória da resistência às ditaduras no Cone Sul. O movimento das Madres inspirou coletivos de familiares de desaparecidos políticos no Brasil, onde a Comissão Nacional da Verdade só foi instalada décadas depois. Observadores em Lisboa notam que a longevidade da luta argentina contrasta com os silêncios ainda persistentes em Portugal sobre o salazarismo e a guerra colonial. Já em países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, onde conflitos civis também produziram desaparecimentos forçados, o exemplo das Madres é frequentemente evocado por organizações que reivindicam memória e reparação.

Com a morte de Taty Almeida, encerra-se um capítulo geracional, mas o seu legado permanece como farol para os que continuam a exigir verdade e justiça. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, resumiu o sentimento coletivo ao dizer que “ela sempre estava quando se precisava”. Agora, a sua ausência física transfere às novas gerações a responsabilidade de manter acesa a chama que ela e as suas companheiras acenderam na praça, todas as quintas-feiras, durante quase meio século.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericana/ bolivariana_progressista
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A morte de Taty Almeida, amada líder das Mães da Praça de Maio, abalou profundamente a Argentina. Sua companheira de luta Estela de Carlotto fez duras acusações ao governo, afirmando que hoje devem estar brindando. O legado de Almeida como combatente incansável contra o negacionismo da ditadura permanece um farol para as novas gerações.

Stampa europea continentale/ mediterranea
distaccopragmatismo

Taty Almeida, líder histórica das Mães da Praça de Maio, morreu aos 95 anos. Pioneira na defesa dos direitos humanos, ela havia se oposto recentemente à política negacionista do governo Milei. Sua morte encerra um capítulo fundamental do movimento argentino de direitos humanos.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Morre Taty Almeida, a voz incansável das Mães da Praça de Maio que desafiou a ditadura argentina

Presidente da linha fundadora do movimento faleceu aos 95 anos, deixando um legado de resistência que ecoa muito além das fronteiras da Argentina.

A ativista Lidia Stella Mercedes Miy Uranga de Almeida, conhecida como Taty Almeida, morreu no domingo aos 95 anos, em Buenos Aires, após uma vida dedicada à busca por justiça e memória. O velório, realizado na sede do sindicato Foetra, no bairro de Balvanera, reuniu centenas de pessoas de diferentes gerações — políticos, sindicalistas, artistas e militantes de direitos humanos — que se despediram diante de um caixão fechado, ladeado por uma fotografia sorridente da dirigente e por uma barreira coberta de lenços brancos, símbolo maior da resistência das Madres de Plaza de Mayo. A família pediu que, em vez de flores, fossem feitas doações, gesto que reflete o espírito de uma mulher que transformou a dor pessoal em luta coletiva.

Taty Almeida ingressou no movimento em 1979, quatro anos após o sequestro e desaparecimento do filho Alejandro, então com 20 anos, por um grupo paramilitar anticomunista. A sua história confunde-se com a da própria Argentina: filha de militares, rompeu com o silêncio da sua classe para se tornar uma das figuras mais queridas e tenazes da defesa dos direitos humanos. A sua frase de incentivo — “Repitam bem alto: se as Madres conseguiram, por que não nós?” — tornou-se um mantra para quem fraquejava. A associação que presidia destacou, em comunicado, que ela ensinou que “amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor”.

A despedida foi também palco de tensão política. Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, afirmou que o governo de Javier Milei “deve estar brindando” à morte de Almeida, acrescentando que “nos odeiam”. A declaração expõe o clima de confronto que marca a Argentina atual, onde o negacionismo em relação aos crimes da ditadura (1976-1983) ganhou espaço institucional. A própria Taty Almeida travava, nos últimos anos, uma batalha contra o revisionismo oficial, num momento em que as fundadoras do movimento vão desaparecendo e a transmissão do testemunho às novas gerações se torna urgente.

Na perspetiva de Brasília, a trajetória de Almeida dialoga diretamente com a memória da resistência às ditaduras no Cone Sul. O movimento das Madres inspirou coletivos de familiares de desaparecidos políticos no Brasil, onde a Comissão Nacional da Verdade só foi instalada décadas depois. Observadores em Lisboa notam que a longevidade da luta argentina contrasta com os silêncios ainda persistentes em Portugal sobre o salazarismo e a guerra colonial. Já em países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, onde conflitos civis também produziram desaparecimentos forçados, o exemplo das Madres é frequentemente evocado por organizações que reivindicam memória e reparação.

Com a morte de Taty Almeida, encerra-se um capítulo geracional, mas o seu legado permanece como farol para os que continuam a exigir verdade e justiça. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, resumiu o sentimento coletivo ao dizer que “ela sempre estava quando se precisava”. Agora, a sua ausência física transfere às novas gerações a responsabilidade de manter acesa a chama que ela e as suas companheiras acenderam na praça, todas as quintas-feiras, durante quase meio século.

Divergência das fontes

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Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericana/ bolivariana_progressista
indignazioneurgenzaallarme

A morte de Taty Almeida, amada líder das Mães da Praça de Maio, abalou profundamente a Argentina. Sua companheira de luta Estela de Carlotto fez duras acusações ao governo, afirmando que hoje devem estar brindando. O legado de Almeida como combatente incansável contra o negacionismo da ditadura permanece um farol para as novas gerações.

Stampa europea continentale/ mediterranea
distaccopragmatismo

Taty Almeida, líder histórica das Mães da Praça de Maio, morreu aos 95 anos. Pioneira na defesa dos direitos humanos, ela havia se oposto recentemente à política negacionista do governo Milei. Sua morte encerra um capítulo fundamental do movimento argentino de direitos humanos.

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