
México e Brasil iniciam dispersão escalonada de bolsas e auxílios sociais em junho
Banco del Bienestar mexicano começa a pagar três programas estudantis nesta segunda-feira, enquanto o Bolsa Família brasileiro arranca na quarta, ambos com calendários organizados por letra de apelido ou dígito do NIS.
A partir desta segunda-feira, 15 de junho, o Banco del Bienestar do México dá início à dispersão de três bolsas educativas do bimestre maio-junho, num processo escalonado que se prolonga até ao final do mês. O coordenador nacional das Becas para el Bienestar, Julio César León Trujillo, confirmou que os depósitos da Beca Benito Juárez para o ensino médio, da Beca Jóvenes Escribiendo el Futuro para o nível superior e da Beca Gertrudis Bocanegra obedecem à letra inicial do primeiro apelido do beneficiário. Cada estudante do ensino médio recebe 1.900 pesos mexicanos a cada dois meses, enquanto a bolsa Gertrudis Bocanegra, destinada a apoiar o transporte de universitários no estado de Michoacán, também distribui 1.900 pesos bimestrais, acumulando cerca de 9.500 pesos anuais.
Na Cidade do México, fontes oficiais sublinham que a Beca Jóvenes Escribiendo el Futuro dá prioridade a alunos de licenciatura e técnico superior em escolas públicas situadas em zonas de alta marginalidade ou comunidades indígenas, como universidades interculturais e normais indígenas. Já a Beca Benito Juárez abrange todos os estudantes de bacharelato e profissional técnico em instituições públicas do país. O escalonamento por apelido, que se repete a cada bimestre, visa evitar aglomerações nas agências do Banco del Bienestar e facilitar a gestão dos mais de 1.900 pesos por beneficiário.
Em Brasília, o calendário social também avança: a Caixa Econômica Federal começa a pagar o Bolsa Família de junho na quarta-feira, dia 17, seguindo a ordem do último algarismo do Número de Identificação Social (NIS). Os primeiros a receber são as famílias com NIS final 1, e os depósitos prosseguem até 30 de junho, quando o benefício é liberado para quem tem NIS terminado em 0. O programa atende cerca de 18 milhões de famílias e, em municípios com situação de emergência ou calamidade pública reconhecida, o saque é unificado já no primeiro dia, independentemente do dígito.
Observadores em Lisboa notam que estes movimentos simultâneos ilustram a consolidação de políticas de transferência condicionada de rendimento na América Latina, com o Bolsa Família brasileiro a servir de referência para iniciativas semelhantes em países africanos lusófonos, como Moçambique e Angola. A dispersão escalonada, assente em infraestruturas bancárias públicas, revela uma tendência de digitalização dos apoios sociais que reduz custos operacionais e amplia a transparência. Para o segundo semestre, espera-se que ambos os países reforcem os mecanismos de focalização e integrem bases de dados para alcançar populações ainda descobertas, num contexto de recuperação económica pós-pandémica que mantém a desigualdade como desafio central.
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