Entrar
Edição das 20:00 CETquinta-feira, 18 de junho de 2026
311 veículos · 17 idiomas287 briefing hoje
terça-feira, 16 de junho de 2026

Smotrich anuncia fim do acordo de Hebron, mas diplomacia israelita desmente

Ministro das Finanças reivindicou a transferência total de poderes sobre o centro histórico e o túmulo dos Patriarcas, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que o pacto de 1997 permanece em vigor.

O anúncio do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de que o acordo de Hebron de 1997 fora “cancelado” e que as competências de planeamento e construção na cidade velha passavam integralmente para mãos israelitas gerou uma imediata contradição por parte do próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em comunicado, a diplomacia israelita esclareceu que o acordo assinado com a Organização para a Libertação da Palestina continua em vigor, tendo apenas sido alterado por uma decisão do gabinete de segurança, aprovada há meses, que transfere para a administração civil israelita a autoridade urbanística sobre os locais sagrados judaicos e a comunidade de colonos no centro de Hebron. A discrepância entre as palavras de Smotrich e a posição oficial revela tensões dentro do governo de coligação, ao mesmo tempo que expõe a fragilidade dos arranjos jurídicos que regem a cidade mais simbólica da Cisjordânia ocupada.

A cidade de Hebron (Al-Khalil) está dividida desde 1997 em duas zonas: H1, sob controlo palestiniano, e H2, sob administração militar israelita, onde vivem cerca de 800 colonos judeus rodeados por 40 mil palestinianos. O acordo então assinado atribuía à municipalidade palestiniana a gestão do planeamento urbano em toda a cidade, incluindo o túmulo dos Patriarcas — conhecido como Mesquita Ibrahimi para os muçulmanos —, um local sagrado para as três religiões abraâmicas. A decisão agora concretizada pelo Conselho Superior de Planeamento da administração civil retira essas competências à autarquia de Hebron nos territórios de H2 e no santuário, colocando-os sob a alçada de um comité controlado pelo próprio Smotrich, que acumula pastas no Ministério da Defesa. Para o ministro, trata-se de “um passo rumo à soberania prática” sobre a cidade e os lugares santos.

A Autoridade Palestiniana classificou a medida como uma violação do direito internacional e dos acordos bilaterais, alertando para a erosão do estatuto político de Hebron. Em Brasília, o Itamaraty tem reiterado o apoio à solução de dois Estados e condenado a expansão de colonatos, posição que ganha eco em Lisboa, onde o governo português defende o respeito pelo quadro jurídico internacional e pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, alinhados historicamente com as posições da União Africana, a medida é vista como mais um obstáculo à criação de um Estado palestiniano viável, num momento em que a Autoridade Palestiniana procura reforçar o seu reconhecimento diplomático.

A transferência de poderes urbanísticos, ainda que não configure formalmente uma anexação, representa um esvaziamento concreto da autoridade palestiniana sobre um dos territórios mais sensíveis da Cisjordânia. Analistas observam que a medida se insere numa estratégia mais ampla de normalização do controlo israelita sobre a Área C e de fragmentação administrativa, dificultando qualquer futura negociação sobre o estatuto final. Ao mesmo tempo, a correção pública do Ministério dos Negócios Estrangeiros sugere que o governo de Benjamin Netanyahu procura conter os danos diplomáticos, mantendo a ficção jurídica de que os acordos de Oslo ainda fornecem a moldura para a relação com os palestinianos, mesmo quando a realidade no terreno se afasta cada vez mais desse paradigma.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 1 idiomas

32%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa israeliana
Stampa europea continentale
indignazioneallarme

O ministro das finanças israelita de extrema-direita anunciou a retirada do controlo palestiniano sobre o local sagrado de Hebron, suscitando a condenação da Autoridade Palestiniana. O acordo de 1997, que confiava a gestão aos palestinianos, tem sido gradualmente erodido por Israel nos últimos anos.

Stampa israeliana/ critica
scetticismodistacco

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita desmentiu a afirmação do ministro Smotrich de ter anulado o acordo de Hebron de 1997, esclarecendo que a única alteração diz respeito aos poderes municipais. A contradição evidencia uma fratura interna sobre o controlo dos locais sagrados.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Trump promete que Irão nunca terá arma nuclear às vésperas de memorando com Teerão·Cristiano Ronaldo sob fogo cruzado após estreia apagada de Portugal no Mundial·Trump condecora heróis de guerra, mas gafe com laço e comentários políticos marcam cerimónia·Saúde, pensões e dívidas: o mal-estar social que atravessa continentes·Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo·Do sono ao exercício: os hábitos discretos que minam a saúde do coração·Acusações de traição e incentivos ao consumo energético redesenhando governança em 2026·Venezuela: chavismo e oposição iniciam diálogo sob mediação dos EUA para transição democrática·Trump promete que Irão nunca terá arma nuclear às vésperas de memorando com Teerão·Cristiano Ronaldo sob fogo cruzado após estreia apagada de Portugal no Mundial·Trump condecora heróis de guerra, mas gafe com laço e comentários políticos marcam cerimónia·Saúde, pensões e dívidas: o mal-estar social que atravessa continentes·Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo·Do sono ao exercício: os hábitos discretos que minam a saúde do coração·Acusações de traição e incentivos ao consumo energético redesenhando governança em 2026·Venezuela: chavismo e oposição iniciam diálogo sob mediação dos EUA para transição democrática·
Atualizado 22:511 idioma · 3 veículos
3 veículos|1 idioma|3 min de leitura
terça-feira, 16 de junho de 2026

Smotrich anuncia fim do acordo de Hebron, mas diplomacia israelita desmente

Ministro das Finanças reivindicou a transferência total de poderes sobre o centro histórico e o túmulo dos Patriarcas, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que o pacto de 1997 permanece em vigor.

O anúncio do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de que o acordo de Hebron de 1997 fora “cancelado” e que as competências de planeamento e construção na cidade velha passavam integralmente para mãos israelitas gerou uma imediata contradição por parte do próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em comunicado, a diplomacia israelita esclareceu que o acordo assinado com a Organização para a Libertação da Palestina continua em vigor, tendo apenas sido alterado por uma decisão do gabinete de segurança, aprovada há meses, que transfere para a administração civil israelita a autoridade urbanística sobre os locais sagrados judaicos e a comunidade de colonos no centro de Hebron. A discrepância entre as palavras de Smotrich e a posição oficial revela tensões dentro do governo de coligação, ao mesmo tempo que expõe a fragilidade dos arranjos jurídicos que regem a cidade mais simbólica da Cisjordânia ocupada.

A cidade de Hebron (Al-Khalil) está dividida desde 1997 em duas zonas: H1, sob controlo palestiniano, e H2, sob administração militar israelita, onde vivem cerca de 800 colonos judeus rodeados por 40 mil palestinianos. O acordo então assinado atribuía à municipalidade palestiniana a gestão do planeamento urbano em toda a cidade, incluindo o túmulo dos Patriarcas — conhecido como Mesquita Ibrahimi para os muçulmanos —, um local sagrado para as três religiões abraâmicas. A decisão agora concretizada pelo Conselho Superior de Planeamento da administração civil retira essas competências à autarquia de Hebron nos territórios de H2 e no santuário, colocando-os sob a alçada de um comité controlado pelo próprio Smotrich, que acumula pastas no Ministério da Defesa. Para o ministro, trata-se de “um passo rumo à soberania prática” sobre a cidade e os lugares santos.

A Autoridade Palestiniana classificou a medida como uma violação do direito internacional e dos acordos bilaterais, alertando para a erosão do estatuto político de Hebron. Em Brasília, o Itamaraty tem reiterado o apoio à solução de dois Estados e condenado a expansão de colonatos, posição que ganha eco em Lisboa, onde o governo português defende o respeito pelo quadro jurídico internacional e pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, alinhados historicamente com as posições da União Africana, a medida é vista como mais um obstáculo à criação de um Estado palestiniano viável, num momento em que a Autoridade Palestiniana procura reforçar o seu reconhecimento diplomático.

A transferência de poderes urbanísticos, ainda que não configure formalmente uma anexação, representa um esvaziamento concreto da autoridade palestiniana sobre um dos territórios mais sensíveis da Cisjordânia. Analistas observam que a medida se insere numa estratégia mais ampla de normalização do controlo israelita sobre a Área C e de fragmentação administrativa, dificultando qualquer futura negociação sobre o estatuto final. Ao mesmo tempo, a correção pública do Ministério dos Negócios Estrangeiros sugere que o governo de Benjamin Netanyahu procura conter os danos diplomáticos, mantendo a ficção jurídica de que os acordos de Oslo ainda fornecem a moldura para a relação com os palestinianos, mesmo quando a realidade no terreno se afasta cada vez mais desse paradigma.

Divergência das fontes

— · 3 veículos · 1 idioma

32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro20%
Crítico80%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 1 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa israeliana
Stampa europea continentale
indignazioneallarme

O ministro das finanças israelita de extrema-direita anunciou a retirada do controlo palestiniano sobre o local sagrado de Hebron, suscitando a condenação da Autoridade Palestiniana. O acordo de 1997, que confiava a gestão aos palestinianos, tem sido gradualmente erodido por Israel nos últimos anos.

Stampa israeliana/ critica
scetticismodistacco

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita desmentiu a afirmação do ministro Smotrich de ter anulado o acordo de Hebron de 1997, esclarecendo que a única alteração diz respeito aos poderes municipais. A contradição evidencia uma fratura interna sobre o controlo dos locais sagrados.

Esta notícia apareceu em

3 veículos · 1 idioma

Artigos relacionados

Esporte

Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo

9 idiomas · 29 veículos

Esporte

Fratura exposta de Koné abala goleada histórica do Canadá sobre o Catar

7 idiomas · 25 veículos

Política

Acordo com Irão divide republicanos e expõe fragilidades da estratégia de Trump

8 idiomas · 21 veículos

Ler mais