
Irão reivindica ataques a bases dos EUA no Kuwait e Bahrein em nova vaga de retaliação
Guarda Revolucionária e Exército iraniano afirmam ter destruído radares e sistemas Patriot, enquanto cessar-fogo assinado em junho se desfaz e Pezeshkian fala em 'guerra total'.
A Guarda Revolucionária e o Exército do Irão reivindicaram, na terça-feira, uma série de ataques com mísseis e drones contra infraestruturas militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, no que descreveram como a segunda fase da 24.ª vaga da Operação Nasr-2. Os comunicados, difundidos por agências estatais iranianas, apontam como alvos radares de longo alcance, centros de comunicações, hangares de drones MQ-9 e sistemas de defesa antimíssil Patriot nas bases de Ali al-Salem, Ahmed Al-Jaber, Camp Arifjan e Al-Muharraq. A ofensiva ocorre em resposta a dez noites consecutivas de bombardeamentos aéreos norte-americanos contra o território iraniano, que, segundo o Comando Central dos EUA, tiveram início às 16h00 de segunda-feira na costa leste americana.
Do lado iraniano, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) sustenta que as operações visam “remover obstáculos a futuras operações aéreas e de mísseis” e promete que “o castigo do agressor continuará”. O presidente Masoud Pezeshkian qualificou o conflito como “guerra em grande escala”, de acordo com a agência IRNA. Já as forças armadas do Kuwait afirmaram que eventuais explosões ouvidas no país resultam do funcionamento dos seus próprios sistemas de defesa aérea, sem confirmar danos. Washington não se pronunciou oficialmente sobre os alegados impactos nas suas instalações, mas o Pentágono tem reiterado a determinação em defender os seus interesses na região.
A escalada dissolve na prática o memorando de entendimento assinado em junho na Suíça, que previa um cessar-fogo e negociações de paz ao longo de 60 dias. O acordo ruiu depois de os EUA acusarem Teerão de não normalizar totalmente a navegação no Estreito de Ormuz. Na perspetiva de analistas em Lisboa, a rapidez do colapso do entendimento revela a fragilidade dos canais diplomáticos e a profundidade da desconfiança mútua. A instabilidade no Golfo Pérsico reacendeu também o ativismo de grupos aliados do Irão: os houthis do Iémen reivindicaram ataques contra forças americanas e milícias iraquianas manifestaram disponibilidade para intervir, enquanto as monarquias árabes do Golfo, segundo fontes regionais, preferem manter-se como observadoras, limitando a margem de manobra dos EUA.
Em Brasília, o Itamaraty acompanha a deterioração com apreensão, sobretudo pelos potenciais reflexos nos preços do petróleo e na segurança de rotas marítimas essenciais ao comércio exterior brasileiro. Observadores em Luanda e Maputo notam que a subida das cotações do crude pode agravar os custos de importação para economias africanas já pressionadas. A comunidade internacional aguarda agora uma reação formal de Washington, enquanto crescem os apelos para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A ausência de confirmação independente dos danos mantém o episódio num terreno de narrativas contraditórias, mas a dinâmica de retaliação sugere que o conflito entrou numa fase de maior intensidade e imprevisibilidade.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
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| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.80 | aligned |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
A Rússia reprojeta o conflito como uma troca simétrica, sem tomar partido, mas dando espaço às alegações de ambas as partes.
Ao apresentar simultaneamente as alegações iranianas e as represálias dos EUA, a Rússia constrói uma estrutura de escalada simétrica que normaliza a violência mútua.
A Rússia omite a alegação iraniana de ataques no Bahrein, presente em outros blocos, e não menciona o papel do Kuwait como teatro de guerra.
O Irã se ergue como vingador moral, atingindo as bases americanas 'assassinas' em uma campanha de retaliação legítima.
Usando linguagem moralizante ('exército assassino de crianças') e detalhes de destruição, o bloco legitima os ataques iranianos como uma resposta necessária à agressão dos EUA.
O bloco omite completamente os ataques dos EUA contra o Irã, apresentando a ação iraniana como unilateral e não como parte de uma troca.
O Golfo árabe observa com preocupação a escalada, relatando as alegações iranianas, mas enfatizando o risco de uma guerra em grande escala.
Ao citar a declaração iraniana de 'guerra em grande escala' e descrever o ataque como um aprofundamento do confronto, o bloco cria uma sensação de alarme sem tomar partido.
O bloco omite os ataques dos EUA contra o Irã e não menciona o Bahrein, concentrando-se apenas no Kuwait.
A Índia sul-asiática amplifica a declaração de guerra iraniana, apresentando o conflito como iminente e em grande escala.
Usando títulos dramáticos como 'guerra em grande escala' e detalhes de ataques de drones, o bloco cria um senso de urgência e crise iminente.
O bloco omite os ataques dos EUA contra o Irã e não fornece o contexto da trégua de junho, apresentando a ação iraniana como uma declaração unilateral.
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