
Irão estima em 10% hipótese de paz com EUA, mas mantém negociações
Ministro Abbas Araghchi afirma que Teerão continuará a via diplomática para evitar guerra, apesar de probabilidade reduzida, após conflito que reconfigurou a segurança regional.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou no domingo que a probabilidade de um acordo de paz com os Estados Unidos é de apenas 10%, mas que Teerão continuará a apostar na via negocial para evitar uma guerra total. A declaração, feita numa entrevista televisionada, surge num momento de escalada militar no Médio Oriente, após uma ofensiva conjunta de Washington e Telavive contra o Irão, em fevereiro, e a subsequente retaliação iraniana contra bases norte-americanas na região.
Na perspetiva de Teerão, a insistência na diplomacia, mesmo com probabilidades reduzidas, cumpre um duplo objetivo: explorar todas as possibilidades de satisfazer as exigências iranianas sem recurso às armas e, caso o esforço fracasse, demonstrar à comunidade internacional e à opinião pública interna que o regime esgotou todas as alternativas pacíficas. Araghchi recordou que, antes do início das hostilidades, as negociações com os EUA giravam em torno da exigência americana de 'enriquecimento zero' de urânio, uma condição que Teerão classificou de ilegal e irrazoável. Segundo o relato do chefe da diplomacia iraniana, a recusa em ceder a essa exigência terá levado Washington a abandonar a mesa de negociações e a optar pela ação militar.
O conflito atual, que Teerão descreve como uma guerra imposta pelos EUA e por Israel, teve início a 28 de fevereiro com uma operação que resultou na morte do Líder Supremo, aiatola Ali Khamenei, e de vários comandantes militares. A resposta iraniana, com mísseis e drones contra alvos em países do Golfo que albergam ativos americanos, alterou, na avaliação de Teerão, a estrutura de segurança regional, ao demonstrar uma capacidade de retaliação que os adversários não teriam antecipado. O ministro Araghchi sublinhou que os inimigos cometeram dois erros de cálculo: subestimaram a resiliência do Irão após a guerra de 12 dias de junho de 2025 e acreditaram que um ataque curto bastaria para provocar o colapso do sistema político iraniano. A resistência popular e a falta de preparação para um conflito prolongado terão forçado uma pausa nas hostilidades, mas a tensão permanece.
A mediação do Paquistão, que em março conduziu a um memorando de entendimento entre as partes, não resistiu ao reacender das disputas no Estreito de Ormuz, via estratégica para o trânsito global de petróleo. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a instabilidade no Golfo tem impacto direto nos preços da energia e na segurança das rotas marítimas, com consequências para as economias lusófonas dependentes de importações. Neste momento, as negociações prosseguem, mas a avaliação de Teerão de que a margem para a paz é de apenas 10% sinaliza um impasse profundo. A comunidade internacional acompanha com apreensão os próximos passos, enquanto o risco de uma nova escalada militar continua elevado.
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | +0.80 | aligned |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.50 | aligned |
Iran puts the chance of peace at 10%, but does not give up dialogue: every opportunity must be seized to avoid war.
The news is presented as a factual statement, without emphasizing the low percentage as a sign of weakness, but rather as a reason to insist on diplomacy. It normalizes the idea that even a minimal probability justifies negotiation efforts.
The context of recent Iranian military strikes and US demands for zero enrichment is omitted, which could have made the statement appear as a tactical move.
Iran struck across the entire region and no one could respond: this is the new strategic reality.
The statement about 10% peace chance is almost ignored; the focus is shifted to Iran's military capabilities and their strategic impact. An image of power is built that makes the low probability of peace irrelevant.
The very statement of 10% peace chance is omitted, as well as the negotiation context and US demands.
Iran does not bow to illegal demands: the US wanted war because they did not get zero enrichment.
The statement about 10% peace chance is reinterpreted as proof of Iranian determination: despite low odds, Iran resisted. A moral contrast is created between reasonable Iran and unreasonable US.
The fact that the 10% estimate comes from Iran itself is omitted, and no mention is made of Iranian military actions that may have influenced the talks.
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