
Irã estreia na Copa do Mundo sob o peso da guerra e da paz recém-anunciada com os EUA
A seleção iraniana estreia no Mundial-2026 em Los Angeles, marcada por meses de guerra com o país anfitrião, um acordo de paz de última hora e protestos da diáspora.
A seleção do Irã aterrissou em Los Angeles no domingo, após uma odisseia que incluiu semanas de incerteza, um campo de treinos transferido para Tijuana, no México, e horas de controles adicionais na fronteira. Horas depois, Washington e Teerã anunciavam um acordo de paz mediado pelo Paquistão, pondo fim a quatro meses de hostilidades que incluíram bombardeios conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã. O capitão Mehdi Taremi, ex-Inter de Milão, resumiu o sentimento: “Este tipo de tensão mina a alegria da Copa do Mundo”.
Pela primeira vez na história dos Mundiais, um país-sede esteve em guerra com uma nação participante. O conflito, iniciado em fevereiro, forçou a mudança da base iraniana do Arizona para o México, enquanto vistos foram negados a membros da delegação e até a um árbitro somali. Em Los Angeles, apelidada de “Tehrangeles” pela maior concentração de iranianos fora do Irã, a diáspora se divide: muitos planejam protestar com bandeiras pré-revolucionárias do leão e do sol, proibidas pela FIFA, enquanto outros assistirão ao jogo. O regime de Teerã ameaçou interromper a partida caso símbolos não autorizados apareçam.
O duelo contra a Nova Zelândia, marcado para as 22h de Brasília no SoFi Stadium, coloca frente a frente duas seleções com tabus históricos: o Irã jamais passou da fase de grupos em sete participações, e os neozelandeses nunca venceram um jogo de Copa. O técnico Amir Ghalenoei e Taremi prometeram jogar “por todos os iranianos”, dentro e fora do país, buscando levar alegria e união. Na perspetiva de Brasília, a coincidência entre o anúncio da paz e a estreia é vista como um alívio diplomático, mas analistas em Lisboa notam que o episódio expõe a fragilidade do discurso apolítico da FIFA.
Apesar do cessar-fogo, as marcas da crise persistem. A preparação atribulada pode afetar o rendimento do Team Melli, enquanto a atmosfera no estádio será um teste à capacidade do futebol de transcender divisões. Observadores na África lusófona sublinham o simbolismo da exclusão do árbitro somali, reflexo de como tensões globais respingam no esporte. O Mundial-2026, que já entrou para a história como o mais politizado, terá na partida desta segunda-feira um capítulo definidor sobre os limites entre geopolítica e futebol.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A seleção iraniana chega aos Estados Unidos representando uma nação grande e orgulhosa, focada apenas em levar alegria e união cultural por meio do futebol. O treinador expressa felicidade em representar o Irã, e a partida é enquadrada como um evento esportivo que transcende as tensões políticas, especialmente após o acordo de paz.
Grupos da diáspora iraniano-americana planejam protestos em frente ao estádio, agitando bandeiras pré-revolução e condenando a repressão violenta do regime de Teerã. A comunidade está profundamente dividida sobre a participação da equipe, com muitos vendo-a como um símbolo do governo opressor, em vez de uma celebração esportiva.
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