
Irã arranca empate dramático com Nova Zelândia em estreia sob tensão política
Em Los Angeles, o Irã buscou duas vezes o empate contra a Nova Zelândia (2-2), num jogo que expôs as divisões da diáspora iraniana e a complexa geopolítica do Mundial de 2026.
A seleção iraniana estreou no Mundial de 2026 com um empate eletrizante por 2-2 diante da Nova Zelândia, no SoFi Stadium, em Los Angeles, na noite de segunda-feira (15). Elijah Just, ao marcar aos 7 e aos 55 minutos, tornou-se o primeiro neozelandês a anotar dois gols numa partida de Copa, mas o Irã respondeu com gols de Ramin Rezaeian (32') e Mohammad Mohebbi (64'), este de cabeça. Com o resultado, as quatro seleções do Grupo G — Irã, Nova Zelândia, Bélgica e Egito — somam um ponto cada, após o empate em 1-1 entre belgas e egípcios em Seattle. A igualdade total na chave projeta uma disputa acirrada pelas vagas nas oitavas de final.
O jogo, porém, transcendeu o campo. A participação iraniana nos Estados Unidos ocorreu sob o peso de um conflito militar entre Washington e Teerã, iniciado em fevereiro, e de um acordo de paz preliminar anunciado horas antes da partida. A seleção transferiu sua base de treinos do Arizona para Tijuana, no México, e só ingressou em solo americano na véspera. Do lado de fora do estádio, centenas de manifestantes da comunidade iraniano-americana — a maior fora do Irã, concentrada no bairro apelidado de 'Tehrangeles' — protestaram contra o regime de Teerã, exibindo a bandeira pré-revolucionária do leão e do sol, proibida pela Fifa. Dentro do SoFi Stadium, o hino nacional iraniano foi recebido com uma mistura ensurdecedora de vaias e aplausos, enquanto a maioria dos 70 mil torcedores apoiou a equipa com gritos de 'Irã, Irã'. Na perspetiva de analistas europeus, o episódio ilustrou a profunda fratura política que atravessa a diáspora persa.
O empate iraniano também alimentou uma estatística que vem chamando a atenção de observadores asiáticos: as seis seleções da AFC que já estrearam no torneio — Coreia do Sul, Japão, Austrália, Catar, Arábia Saudita e Irã — permanecem invictas, com duas vitórias e quatro empates. A Arábia Saudita, no mesmo dia, havia arrancado um 1-1 contra o Uruguai. Em Lisboa, comenta-se que esse desempenho coletivo sinaliza um encurtamento da distância entre as potências tradicionais e as seleções emergentes do continente, ainda que os confrontos contra adversários de maior peso estejam por vir.
O Irã volta a campo no domingo (21), novamente em Los Angeles, para enfrentar a Bélgica, antes de encerrar a fase de grupos contra o Egito, em Seattle, no dia 26. A Nova Zelândia, que jamais venceu uma partida de Copa (acumula agora cinco empates e três derrotas), medirá forças com os egípcios em Vancouver. Com a chave totalmente equilibrada, cada ponto será crucial, e a capacidade iraniana de se isolar do ruído geopolítico pode definir seu destino no torneio. Para a comunidade lusófona, o Grupo G oferece um retrato vívido de como o futebol, mesmo sob as circunstâncias mais adversas, continua a ser palco de encontros e desencontros que vão muito além dos 90 minutos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Irã e Nova Zelândia empataram em 2 a 2 na estreia da Copa do Mundo. Elijah Just marcou duas vezes para a Nova Zelândia, enquanto Ramin Rezaeian e Mohammad Mohebi responderam para o Irã. Todas as quatro equipes do Grupo G agora têm um ponto.
Após meses de incerteza sobre a participação do Irã devido à guerra, a equipe finalmente entrou em campo e empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia. A partida transcorreu pacificamente apesar de protestos isolados, com os jogadores enfatizando que estavam ali para jogar futebol e unir as pessoas.
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