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Ciência e Saúdequinta-feira, 18 de junho de 2026

Gripe aviária dizima 13 mil filhotes de foca em ilha subantártica e acende alerta global

Mortalidade de 97% em algumas colônias de elefantes-marinhos no território australiano coincide com desaparecimento de chocos em Whyalla e mortes anômalas de belugas no Canadá.

Uma temporada de reprodução transformada em cemitério a céu aberto. Cientistas australianos confirmaram que mais de 13 mil filhotes de elefante-marinho-do-sul morreram nas remotas ilhas Heard e McDonald, território externo da Austrália situado a 4.000 quilômetros a sudoeste de Perth, vítimas de uma estirpe agressiva de gripe aviária H5N1. As expedições realizadas em outubro de 2025 e janeiro de 2026, a bordo do quebra-gelo RSV Nuyina, revelaram taxas de mortalidade média de 76%, com picos de 97% em algumas colônias. O vírus, detetado também em pinguins e petréis, terá chegado em agosto através de animais migratórios oriundos das vizinhas ilhas Crozet, possessão francesa, marcando a primeira incursão da doença nos territórios subantárticos australianos.

A dimensão da perda não é um episódio isolado. No outro extremo do Índico, a cidade portuária de Whyalla, no sul da Austrália, assiste a um silêncio inquietante: as dezenas de milhares de chocos-gigantes (Sepia apama) que todos os invernos se concentram na região para a desova simplesmente não apareceram em 2026. Especialistas em turismo e biólogos marinhos temem que a proliferação de algas tóxicas, potencializada por alterações na temperatura e na química da água, tenha devastado a população. Do outro lado do planeta, no estuário do São Lourenço, no Canadá, o ano de 2025 registou 19 belugas mortas, um número dentro da média, mas com uma ausência notável: pela primeira vez em mais de uma década não houve casos de fêmeas que morreram durante o parto, sugerindo mudanças nos padrões de ocupação do habitat que intrigam os cientistas.

Observadores em Brasília acompanham o episódio subantártico com preocupação. O Brasil mantém presença científica na região por meio do Programa Antártico Brasileiro e da estação Comandante Ferraz, e a circulação de patógenos altamente patogénicos entre aves e mamíferos marinhos representa uma ameaça transfronteiriça que pode atingir as colônias de pinguins e focas monitoradas por pesquisadores brasileiros. Em Lisboa, analistas sublinham que a globalização das doenças da vida selvagem exige coordenação multilateral, sobretudo no âmbito da Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos, onde Portugal tem assento. Já nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Moçambique e Angola, o episódio serve de alerta para a vulnerabilidade de ecossistemas costeiros que dependem da saúde dos oceanos austrais, cujas correntes influenciam a produtividade pesqueira no Atlântico Sul.

A convergência de eventos díspares — um surto viral letal no subantártico, o colapso de uma agregação reprodutiva de cefalópodes e a alteração de perfis de mortalidade de cetáceos no hemisfério norte — reforça a perceção de que os ecossistemas marinhos estão sob pressões múltiplas e interligadas. Ainda não se estabeleceu uma relação causal entre os fenómenos, mas a comunidade científica intensifica a vigilância. Na Austrália, o South Australian Research and Development Institute prepara um censo completo dos chocos, enquanto os investigadores da gripe aviária sublinham que a transmissão entre aves e focas pode acelerar a propagação do H5N1 rumo à Antártida continental. A tragédia de Heard, com o seu rasto de filhotes sacrificados antes mesmo de entrarem no mar, funciona como um aviso precoce: a crise da biodiversidade marinha já não respeita fronteiras e exige respostas coordenadas entre continentes e hemisférios.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A morte em massa de 13.000 filhotes de foca devido à gripe aviária numa ilha remota australiana insere-se numa crise marinha mais ampla, com mortalidades simultâneas de belugas no Canadá e chocos no sul da Austrália. Os cientistas investigam com urgência a propagação do vírus H5 e o seu potencial devastador para a vida selvagem, enquanto os setores do turismo e da pesca observam com crescente preocupação.

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Nas ilhas subantárticas Heard e McDonald, uma estirpe agressiva de gripe aviária matou 13.000 crias de foca, com uma mortalidade que atingiu 97% em algumas colónias. O surto, detetado pela primeira vez em outubro de 2025, é visto como mais um sinal de que o vírus está a espalhar-se para leste, atingindo agora territórios externos australianos. Os cientistas confirmam que o vírus H5 também afetou pinguins e outras aves marinhas.

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Gripe aviária dizima 13 mil filhotes de foca em ilha subantártica e acende alerta global

Mortalidade de 97% em algumas colônias de elefantes-marinhos no território australiano coincide com desaparecimento de chocos em Whyalla e mortes anômalas de belugas no Canadá.

Uma temporada de reprodução transformada em cemitério a céu aberto. Cientistas australianos confirmaram que mais de 13 mil filhotes de elefante-marinho-do-sul morreram nas remotas ilhas Heard e McDonald, território externo da Austrália situado a 4.000 quilômetros a sudoeste de Perth, vítimas de uma estirpe agressiva de gripe aviária H5N1. As expedições realizadas em outubro de 2025 e janeiro de 2026, a bordo do quebra-gelo RSV Nuyina, revelaram taxas de mortalidade média de 76%, com picos de 97% em algumas colônias. O vírus, detetado também em pinguins e petréis, terá chegado em agosto através de animais migratórios oriundos das vizinhas ilhas Crozet, possessão francesa, marcando a primeira incursão da doença nos territórios subantárticos australianos.

A dimensão da perda não é um episódio isolado. No outro extremo do Índico, a cidade portuária de Whyalla, no sul da Austrália, assiste a um silêncio inquietante: as dezenas de milhares de chocos-gigantes (Sepia apama) que todos os invernos se concentram na região para a desova simplesmente não apareceram em 2026. Especialistas em turismo e biólogos marinhos temem que a proliferação de algas tóxicas, potencializada por alterações na temperatura e na química da água, tenha devastado a população. Do outro lado do planeta, no estuário do São Lourenço, no Canadá, o ano de 2025 registou 19 belugas mortas, um número dentro da média, mas com uma ausência notável: pela primeira vez em mais de uma década não houve casos de fêmeas que morreram durante o parto, sugerindo mudanças nos padrões de ocupação do habitat que intrigam os cientistas.

Observadores em Brasília acompanham o episódio subantártico com preocupação. O Brasil mantém presença científica na região por meio do Programa Antártico Brasileiro e da estação Comandante Ferraz, e a circulação de patógenos altamente patogénicos entre aves e mamíferos marinhos representa uma ameaça transfronteiriça que pode atingir as colônias de pinguins e focas monitoradas por pesquisadores brasileiros. Em Lisboa, analistas sublinham que a globalização das doenças da vida selvagem exige coordenação multilateral, sobretudo no âmbito da Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos, onde Portugal tem assento. Já nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Moçambique e Angola, o episódio serve de alerta para a vulnerabilidade de ecossistemas costeiros que dependem da saúde dos oceanos austrais, cujas correntes influenciam a produtividade pesqueira no Atlântico Sul.

A convergência de eventos díspares — um surto viral letal no subantártico, o colapso de uma agregação reprodutiva de cefalópodes e a alteração de perfis de mortalidade de cetáceos no hemisfério norte — reforça a perceção de que os ecossistemas marinhos estão sob pressões múltiplas e interligadas. Ainda não se estabeleceu uma relação causal entre os fenómenos, mas a comunidade científica intensifica a vigilância. Na Austrália, o South Australian Research and Development Institute prepara um censo completo dos chocos, enquanto os investigadores da gripe aviária sublinham que a transmissão entre aves e focas pode acelerar a propagação do H5N1 rumo à Antártida continental. A tragédia de Heard, com o seu rasto de filhotes sacrificados antes mesmo de entrarem no mar, funciona como um aviso precoce: a crise da biodiversidade marinha já não respeita fronteiras e exige respostas coordenadas entre continentes e hemisférios.

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A morte em massa de 13.000 filhotes de foca devido à gripe aviária numa ilha remota australiana insere-se numa crise marinha mais ampla, com mortalidades simultâneas de belugas no Canadá e chocos no sul da Austrália. Os cientistas investigam com urgência a propagação do vírus H5 e o seu potencial devastador para a vida selvagem, enquanto os setores do turismo e da pesca observam com crescente preocupação.

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Nas ilhas subantárticas Heard e McDonald, uma estirpe agressiva de gripe aviária matou 13.000 crias de foca, com uma mortalidade que atingiu 97% em algumas colónias. O surto, detetado pela primeira vez em outubro de 2025, é visto como mais um sinal de que o vírus está a espalhar-se para leste, atingindo agora territórios externos australianos. Os cientistas confirmam que o vírus H5 também afetou pinguins e outras aves marinhas.

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