
Governo russo vende ativos da Yuzhuralzoloto por 93 mil milhões de rublos, com desconto de 42%
Ações da mineradora caem mais de 6% após o anúncio do vencedor do leilão holandês, refletindo o deságio face à avaliação inicial de 162 mil milhões de rublos.
O Estado russo concluiu nesta sexta-feira a venda de 67,2% da Yuzhuralzoloto (YUGK) e de outros ativos do grupo por 93,16 mil milhões de rublos (cerca de 1,3 mil milhões de dólares), um deságio de 42% face à avaliação inicial de 162 mil milhões. As ações da mineradora, que chegaram a subir 5,9% durante a manhã na Bolsa de Moscovo, inverteram a tendência e recuaram mais de 6% assim que o resultado do leilão foi conhecido, evidenciando a frustração com o preço final.
A operação concretizou-se apenas à quarta tentativa, através de um leilão holandês — mecanismo em que o preço é reduzido progressivamente até que um comprador aceite a cotação corrente. As três tentativas anteriores, duas das quais também em formato holandês, fracassaram por falta de participantes ou por incumprimento dos requisitos de caução. Desta vez, o leilão arrancou com um passo de descida de 2% (3,24 mil milhões de rublos) e exigia um depósito de 20% do valor inicial, tendo sido admitidos vários concorrentes cuja identidade não foi revelada.
O vencedor foi o A.O. BTS-Most Holding, controlado em 94,4% pelo empresário de origem chechena Ruslan Baisarov, visado por sanções do Reino Unido por alegado apoio ao governo russo. A holding está presente na construção de infraestruturas de transporte e na mineração de carvão. A YUGK, com reservas de 11 milhões de onças troy e produção anual de 330 mil onças, havia sido confiscada em julho de 2025 por decisão judicial, na sequência de uma ação da Procuradoria-Geral que acusou o antigo proprietário, Konstantin Strukov, de usar o cargo de deputado regional para obter ilegalmente o controlo da empresa.
Na perspetiva de Moscovo, a venda permite encaixar receitas que o Ministério das Finanças pretende canalizar para prioridades definidas pelo Presidente. Contudo, o desfecho reacende o debate sobre a capacidade do Estado para rentabilizar ativos confiscados e sobre a proteção dos acionistas minoritários. Um decreto presidencial recente isentou o Estado da obrigação de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre os 10,8% em free float, transferindo essa responsabilidade para o comprador. O próximo marco será a assinatura do contrato de compra e venda e a transferência dos fundos para o orçamento federal, enquanto o mercado observa se o novo acionista de controlo cumprirá o dever de lançar a OPA.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após quatro tentativas, o Estado vendeu sua participação de controle na mineradora de ouro YUGK. O leilão holandês foi vencido pela BTS-Most Holding, ligada a Ruslan Baisarov, por 93,2 bilhões de rublos, bem abaixo da avaliação inicial de 162 bilhões. Os mercados reagiram de forma mista e limitada, e a notícia é tratada como a conclusão técnica de uma alienação de ativos.
Uma construtora de um bilionário de origem chechena adquiriu a participação majoritária na produtora de ouro russa YUGK no quarto e último leilão. O preço final de 93,16 bilhões de rublos fica muito abaixo da avaliação inicial, após repetidos fracassos em atrair compradores. A notícia destaca o grande desconto e a identidade do comprador sem juízos explícitos.
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