
França e Reino Unido preparam missão naval no Estreito de Ormuz após acordo EUA-Irã
Emmanuel Macron anuncia envio do porta-aviões Charles de Gaulle em até três dias, com apoio de Itália e Países Baixos, para garantir navegação livre de taxas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, revelou nesta segunda-feira, à margem da cimeira do G7 em Évian, que Paris e Londres estão prontas para liderar uma missão militar europeia no Estreito de Ormuz assim que for assinado o memorando de paz entre Washington e Teerão. A força conjunta, que contará com o porta-aviões Charles de Gaulle, fragatas e aviões de vigilância, poderá ser projetada no terreno em dois a três dias. Itália e os Países Baixos já manifestaram disponibilidade para integrar a operação, e o sultanato de Omã, vizinho do estreito, não se opõe à presença internacional, segundo Macron.
A iniciativa surge no contexto do anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irão, cuja cerimónia de assinatura está prevista para 19 de junho em Genebra. O presidente francês sublinhou que a missão tem como objetivo central reabrir a via marítima sem qualquer cobrança de portagem — uma linha vermelha para as potências ocidentais. Fontes iranianas, contudo, indicam que o texto do memorando ainda está a ser afinado e que Teerão considera a gestão futura dos serviços no estreito como parte das negociações. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, já havia referido que o documento aborda a questão do tráfego marítimo, mas sem detalhar mecanismos de taxação.
Na perspetiva de Brasília, a estabilidade de Ormuz é vital para a formação dos preços do petróleo e, por arrasto, para a política energética brasileira, fortemente dependente da cotação internacional. Observadores em Lisboa notam que a missão franco-britânica representa um esforço europeu de autonomia estratégica face aos Estados Unidos, num momento em que a segurança do abastecimento energético do continente está no topo da agenda. Para as economias lusófonas africanas produtoras de crude, como Angola e Moçambique, uma perturbação prolongada no Golfo Pérsico poderia gerar volatilidade nos mercados e afetar receitas fiscais, ainda que indiretamente.
Macron adiantou ainda que o G7 trabalhará com os países do Golfo para identificar rotas alternativas de fornecimento energético, reduzindo a dependência do estreito. A operação europeia, se concretizada, marcará uma presença naval de grande envergadura numa zona sensível, exigindo coordenação delicada com Teerão e Washington. O sucesso da missão dependerá, em última análise, da solidez do acordo EUA-Irão e da aceitação, por parte iraniana, de uma força multinacional que Macron insiste em descrever como garante da liberdade de navegação, e não como instrumento de pressão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A missão naval europeia para garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz está pronta para ser destacada dias após um acordo de paz entre EUA e Irã, com França e Reino Unido à frente. Omã sinalizou que não se opõe a uma presença internacional, enquanto Paris insiste que a passagem deve permanecer isenta de taxas. A reabertura é apresentada como pedra angular da estabilidade regional e da economia global.
A União Europeia está pronta para lançar muito rapidamente uma missão naval no Estreito de Ormuz – dentro de dois a três dias após um acordo de paz entre EUA e Irã – liderada por França e Reino Unido com apoio de Itália e Países Baixos. Um objetivo central, segundo o presidente Macron, é impedir a imposição de taxas de trânsito a navios mercantes. O anúncio foi feito em entrevista televisionada, destacando a prontidão operacional da iniciativa europeia.
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