Entrar
Edição das 20:00 CETquinta-feira, 18 de junho de 2026
311 veículos · 17 idiomas287 briefing hoje
Esportedomingo, 14 de junho de 2026

Treze federações reagem em bloco a críticas do presidente da UEFA à Copa alargada

Em comunicado conjunto, associações de África, Caraíbas e Ásia rejeitam declarações de Aleksander Čeferin, que considerou muitos jogos do Mundial de 2026 'pouco interessantes'.

No domingo, 14 de junho, treze federações de futebol divulgaram um comunicado conjunto em resposta às declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, que classificou como "desinteressantes" muitos jogos do próximo Campeonato do Mundo, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México com 48 seleções. Entre os signatários estão Cabo Verde, Curaçau, Uzbequistão, República Democrática do Congo, Haiti, e um bloco africano que inclui Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul. A iniciativa, coordenada pela federação sul-africana, representa uma reação sem precedentes de países que tradicionalmente ocupam as margens do futebol global.

Čeferin, em entrevista a meios eslovenos, criticou a expansão do torneio, afirmando que o novo formato geraria um "enorme número de partidas totalmente desinteressantes". A declaração foi recebida com profunda deceção pelas federações, que sublinharam no texto: "Para os nossos países, não existe jogo de Mundial sem importância." Para nações como Cabo Verde, Curaçau e Uzbequistão, a qualificação representa um feito histórico e a realização de um sonho partilhado por gerações; para o Congo e o Haiti, o regresso ao maior palco do futebol após longas ausências carrega um significado especial.

A resposta articulada evidencia uma clivagem geográfica e política no futebol mundial. Observadores em Lisboa notam que a presença de Cabo Verde, única nação lusófona entre os signatários, simboliza a ambição dos pequenos países de expressão portuguesa de afirmarem o seu lugar no desporto global. Do lado africano, a união entre federações do Magrebe e da África subsaariana — incluindo rivais históricos como Argélia e Marrocos — revela uma frente comum contra o que percebem como elitismo europeu. A inclusão de Haiti e Curaçau, da Concacaf, e do Uzbequistão, da Ásia Central, amplia a dimensão transcontinental do protesto.

O episódio reacende o debate sobre a democratização do futebol. Na perspetiva de Brasília, onde o Brasil se prepara para mais uma participação no Mundial, a polémica recorda que o valor do torneio não reside apenas na excelência técnica, mas na sua capacidade de unir povos e nações. As federações signatárias insistiram que as declarações de Čeferin ignoram os sacrifícios de jogadores, treinadores e adeptos. Ainda que o tom do comunicado tenha sido respeitoso, a firmeza da rejeição sugere que estes países não aceitarão ser tratados como coadjuvantes numa competição que se quer universal.

À medida que o Mundial de 2026 se aproxima, o confronto de narrativas entre a UEFA e as federações emergentes pode antecipar tensões mais profundas na governação do futebol. A FIFA, que promoveu o alargamento, terá de equilibrar as críticas à qualidade do espetáculo com a promessa de inclusão. Para já, as treze federações deixaram claro que cada jogo no palco mundial tem o seu valor — e que a festa do futebol não se mede apenas pelo brilho das estrelas europeias.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

0%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa africana subsahariana
Stampa europea continentale/ dach_plus
paternalismoironia

As críticas do presidente da UEFA ao formato alargado do Mundial provocaram a reação das federações mais pequenas, que agora contra-atacam. Do ponto de vista europeu, o alargamento é visto com ceticismo e o protesto é descartado como uma reação exagerada de 'anões do Mundial' cujos jogos são considerados pouco interessantes.

Stampa africana subsahariana/ anglofona
indignazionepragmatismo

Federações de futebol da África, Caribe e Ásia repreenderam duramente o presidente da UEFA por ter classificado muitos jogos do Mundial alargado como 'desinteressantes'. Salientam que para os seus países cada partida do Mundial é um marco histórico e nenhum jogo é desprovido de importância. A declaração conjunta é uma rejeição digna mas firme da condescendência europeia.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Pequenos hábitos, grandes danos: o que a ciência revela sobre sedentarismo, dieta e saúde silenciosa·Trump aposenta o Air Force One após 35 anos e prepara avião doado pelo Qatar·Trump promete que Irão nunca terá arma nuclear às vésperas de memorando com Teerão·Pato Merlín torna-se mascote viral do Mundial 2026 e ofusca até incidentes no Fan Fest·Cristiano Ronaldo sob fogo cruzado após estreia apagada de Portugal no Mundial·Trump condecora heróis de guerra, mas gafe com laço e comentários políticos marcam cerimónia·Saúde, pensões e dívidas: o mal-estar social que atravessa continentes·Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo·Pequenos hábitos, grandes danos: o que a ciência revela sobre sedentarismo, dieta e saúde silenciosa·Trump aposenta o Air Force One após 35 anos e prepara avião doado pelo Qatar·Trump promete que Irão nunca terá arma nuclear às vésperas de memorando com Teerão·Pato Merlín torna-se mascote viral do Mundial 2026 e ofusca até incidentes no Fan Fest·Cristiano Ronaldo sob fogo cruzado após estreia apagada de Portugal no Mundial·Trump condecora heróis de guerra, mas gafe com laço e comentários políticos marcam cerimónia·Saúde, pensões e dívidas: o mal-estar social que atravessa continentes·Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo·
Atualizado 00:473 idiomas · 5 veículos
5 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
domingo, 14 de junho de 2026

Treze federações reagem em bloco a críticas do presidente da UEFA à Copa alargada

Em comunicado conjunto, associações de África, Caraíbas e Ásia rejeitam declarações de Aleksander Čeferin, que considerou muitos jogos do Mundial de 2026 'pouco interessantes'.

No domingo, 14 de junho, treze federações de futebol divulgaram um comunicado conjunto em resposta às declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, que classificou como "desinteressantes" muitos jogos do próximo Campeonato do Mundo, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México com 48 seleções. Entre os signatários estão Cabo Verde, Curaçau, Uzbequistão, República Democrática do Congo, Haiti, e um bloco africano que inclui Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul. A iniciativa, coordenada pela federação sul-africana, representa uma reação sem precedentes de países que tradicionalmente ocupam as margens do futebol global.

Čeferin, em entrevista a meios eslovenos, criticou a expansão do torneio, afirmando que o novo formato geraria um "enorme número de partidas totalmente desinteressantes". A declaração foi recebida com profunda deceção pelas federações, que sublinharam no texto: "Para os nossos países, não existe jogo de Mundial sem importância." Para nações como Cabo Verde, Curaçau e Uzbequistão, a qualificação representa um feito histórico e a realização de um sonho partilhado por gerações; para o Congo e o Haiti, o regresso ao maior palco do futebol após longas ausências carrega um significado especial.

A resposta articulada evidencia uma clivagem geográfica e política no futebol mundial. Observadores em Lisboa notam que a presença de Cabo Verde, única nação lusófona entre os signatários, simboliza a ambição dos pequenos países de expressão portuguesa de afirmarem o seu lugar no desporto global. Do lado africano, a união entre federações do Magrebe e da África subsaariana — incluindo rivais históricos como Argélia e Marrocos — revela uma frente comum contra o que percebem como elitismo europeu. A inclusão de Haiti e Curaçau, da Concacaf, e do Uzbequistão, da Ásia Central, amplia a dimensão transcontinental do protesto.

O episódio reacende o debate sobre a democratização do futebol. Na perspetiva de Brasília, onde o Brasil se prepara para mais uma participação no Mundial, a polémica recorda que o valor do torneio não reside apenas na excelência técnica, mas na sua capacidade de unir povos e nações. As federações signatárias insistiram que as declarações de Čeferin ignoram os sacrifícios de jogadores, treinadores e adeptos. Ainda que o tom do comunicado tenha sido respeitoso, a firmeza da rejeição sugere que estes países não aceitarão ser tratados como coadjuvantes numa competição que se quer universal.

À medida que o Mundial de 2026 se aproxima, o confronto de narrativas entre a UEFA e as federações emergentes pode antecipar tensões mais profundas na governação do futebol. A FIFA, que promoveu o alargamento, terá de equilibrar as críticas à qualidade do espetáculo com a promessa de inclusão. Para já, as treze federações deixaram claro que cada jogo no palco mundial tem o seu valor — e que a festa do futebol não se mede apenas pelo brilho das estrelas europeias.

Divergência das fontes

Esporte · 5 veículos · 3 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Crítico100%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa africana subsahariana
Stampa europea continentale/ dach_plus
paternalismoironia

As críticas do presidente da UEFA ao formato alargado do Mundial provocaram a reação das federações mais pequenas, que agora contra-atacam. Do ponto de vista europeu, o alargamento é visto com ceticismo e o protesto é descartado como uma reação exagerada de 'anões do Mundial' cujos jogos são considerados pouco interessantes.

Stampa africana subsahariana/ anglofona
indignazionepragmatismo

Federações de futebol da África, Caribe e Ásia repreenderam duramente o presidente da UEFA por ter classificado muitos jogos do Mundial alargado como 'desinteressantes'. Salientam que para os seus países cada partida do Mundial é um marco histórico e nenhum jogo é desprovido de importância. A declaração conjunta é uma rejeição digna mas firme da condescendência europeia.

Esta notícia apareceu em

5 veículos · 3 idiomas

Artigos relacionados

Esporte

Canadá goleia Qatar 6-0 e faz história, mas fratura de Koné mancha triunfo

9 idiomas · 29 veículos

Esporte

Fratura exposta de Koné abala goleada histórica do Canadá sobre o Catar

7 idiomas · 25 veículos

Política

Acordo com Irão divide republicanos e expõe fragilidades da estratégia de Trump

8 idiomas · 21 veículos

Ler mais