
Exército libanês trava regresso ao sul apesar de acordo entre Washington e Teerão
Militares alertam para violações israelitas e munições não detonadas, enquanto populações deslocadas oscilam entre a esperança e o cepticismo.
O Exército libanês apelou esta segunda-feira aos residentes das aldeias fronteiriças do sul do país para adiarem o regresso a casa, horas depois de ter sido anunciado um acordo entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra regional. Em comunicado, o comando militar sublinhou a necessidade de “respeitar as instruções das unidades destacadas no terreno”, invocando o risco de “violações israelitas e ataques” e a presença de munições não detonadas. Apesar do aviso, correspondentes da AFP testemunharam movimentos cautelosos de famílias em direção a zonas onde as tropas israelitas não estão posicionadas, um sinal da pressão humanitária que se acumula após três meses de ofensiva.
O acordo, negociado em segredo com mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, foi recebido com alívio contido em Beirute. Contudo, a ausência de um compromisso formal de retirada por parte de Israel lançou uma sombra sobre o optimismo inicial. Ministros israelitas afirmaram não se sentir vinculados ao entendimento entre Washington e Teerão, mantendo a ofensiva contra o Hezbollah, que abriu fogo em apoio ao Irão no início de março. Observadores em Lisboa notam que a dissociação entre o acordo nuclear e o teatro libanês expõe a fragilidade de uma trégua que não inclui todos os beligerantes, enquanto analistas em Brasília recordam os limites de mediações que ignoram as dinâmicas locais de conflitos assimétricos.
No terreno, a desconfiança convive com a urgência do regresso. Na ponte de Qasmiyeh, via de acesso à região de Tiro, dezenas de automóveis carregados de colchões e malas atravessavam os postos de controlo do exército libanês, com ocupantes a exibir sinais de vitória. “Estamos a voltar”, disse Alaa Merhi à AFP, resumindo o sentimento de muitos deslocados. As autoridades, porém, insistem que a prudência deve prevalecer: além dos combates intermitentes, vastas áreas estão salpicadas de engenhos explosivos não detonados, um legado letal que já vitimou civis noutros conflitos da região.
O drama libanês insere-se na mais ampla crise humanitária desencadeada pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão, que já deslocou 1,2 milhões de pessoas no Líbano e ceifou milhares de vidas. A comunidade internacional, incluindo os países lusófonos com assento no Conselho de Segurança, acompanha com apreensão a aplicação do acordo. Em Lisboa e em Brasília, diplomatas sublinham que a estabilização do sul do Líbano depende não só do cessar-fogo entre Washington e Teerão, mas também de um mecanismo que obrigue Israel a suspender as operações terrestres e aéreas. Sem esse passo, o regresso em massa arrisca transformar-se numa nova catástrofe humanitária, com civis apanhados entre munições abandonadas e uma frente de batalha que ainda não foi declarada extinta.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades libanesas alertaram os deslocados para não se apressarem a regressar às aldeias fronteiriças do sul, apesar de um acordo entre os EUA e o Irão para pôr fim à guerra, enquanto Israel afirmou que não retiraria as tropas. O conflito matou milhares e desenraizou 1,2 milhões de pessoas no Líbano, o transbordamento mais letal da guerra mais ampla. O exército citou os riscos de violações e ataques israelitas.
O exército libanês instou os deslocados a adiar o regresso ao sul, citando perigos imediatos de violações israelitas e munições não detonadas. O acordo EUA-Irão foi recebido com uma mistura de esperança e ceticismo; algumas famílias preparavam-se para voltar, apesar de ministros israelitas declararem que não se sentem vinculados pelo acordo. O regresso depende agora de instruções militares, inspeções no terreno e da evolução real do acordo anunciado.
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