
EUA registam mais de 10 mil detenções de imigrantes em cinco dias durante o Mundial
A subida coincide com a pressão da Casa Branca por mais fiscalização e com a cooperação internacional de segurança para a Copa do Mundo de 2026, que decorre em território norte-americano.
O Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) efetuou mais de 10 mil detenções de imigrantes num período de cinco dias no final de junho, elevando a média diária para cerca de 2.000 casos, o dobro do ritmo registado no início do ano. De acordo com documentos obtidos pelo The New York Times e confirmados por fontes oficiais sob anonimato, a aceleração decorre de instruções da Casa Branca para que a agência atinja metas diárias mais ambiciosas, num momento em que o país acolhe os jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026. Em paralelo, o vice-diretor do FBI, Christopher Wray, elogiou o Marrocos como parceiro estratégico na segurança do torneio, durante uma visita ao Centro de Cooperação Policial Internacional que coordena as forças dos países participantes.
Na perspetiva do Departamento de Segurança Interna (DHS), a intensificação das detenções cumpre a promessa eleitoral de Donald Trump de deportar imigrantes em situação irregular, com foco em indivíduos com antecedentes criminais. A porta-voz do DHS, Lauren Bis, afirmou que a mensagem é clara: quem entrar ilegalmente será encontrado, preso e deportado. Contudo, advogados de imigração e legisladores democratas citados pela imprensa norte-americana criticaram operações recentes, como a detenção de uma freira católica a caminho da missa no Texas e de várias pessoas à saída de audiências nos tribunais de imigração em Nova Iorque, o que, segundo esses juristas, viola ordens judiciais que proíbem a detenção imediata após os procedimentos. A administração alterou a estratégia depois de uma operação em Minneapolis ter resultado na morte de dois cidadãos norte-americanos, optando agora por ações mais discretas, como abordagens de trânsito e controlos de rotina, em vez das rusgas mediáticas que marcaram a gestão anterior do DHS.
A vaga de detenções ocorre enquanto o sistema de centros de detenção do ICE regista um aumento para mais de 63 mil pessoas sob custódia, aproximando-se da capacidade máxima prevista para os próximos anos fiscais. A administração planeia deportar um milhão de pessoas por ano e manter pelo menos 99 mil detidos diariamente até 2027. Na frente judicial, o Supremo Tribunal autorizou a revogação do Estatuto de Proteção Temporária para haitianos e sírios, abrindo caminho para a retirada de proteção a dezenas de milhares de imigrantes de outras nacionalidades. Para o torneio, o DHS classificou o Mundial como evento de segurança de nível 1, mobilizando o ICE, a Investigação de Segurança Interna e outras agências sobretudo para combater a contrafação, o tráfico de pessoas e ameaças à segurança nacional, e não para controlos migratórios generalizados, segundo o secretário Markwayne Mullin.
Observadores em Brasília e Lisboa acompanham o impacto sobre as comunidades de imigrantes lusófonos, num contexto em que o Brasil mantém um dos maiores contingentes de cidadãos em situação irregular nos EUA. A cooperação com Marrocos, elogiada pelo FBI como exemplo de parceria fiável e experiente, insere-se num esforço multilateral de troca de informações que, segundo as autoridades norte-americanas, já permitiu frustrar um número crescente de ameaças em solo americano. O Mundial prossegue até à final de 19 de julho, e o DHS não fixou um prazo para a manutenção do atual ritmo de detenções, enquanto o Congresso avalia os pedidos de financiamento para a expansão da capacidade de custódia e deportação.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
The Latin American bloc does not address the ICE story, focusing on other topics.
The absence of any article on the matter makes it impossible to identify a stance; the bloc simply does not consider it newsworthy.
Any mention of ICE migrant detentions, which is the core of the story, is missing.
The Atlantic bloc does not cover the ICE story, focusing on other subjects.
The lack of any article on the matter prevents identifying a stance; the bloc does not consider it noteworthy.
Any reference to ICE migrant detentions, which is the core of the story, is absent.
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