Entrar
Edição das 06:00 CETdomingo, 21 de junho de 2026
307 veículos · 17 idiomas243 briefing hoje
Justiça & Direitosábado, 20 de junho de 2026

EAU proíbem redes sociais para menores de 15 anos; Europa e Indonésia adotam vias distintas

Conselho de Ministros dos Emirados Árabes Unidos impõe a primeira proibição absoluta no Golfo, enquanto a Suécia propõe limite semelhante e Jacarta aposta na prevenção do narcotráfico digital.

O Conselho de Ministros dos Emirados Árabes Unidos anunciou a proibição total do uso de redes sociais por crianças com menos de 15 anos. A decisão, a primeira desse tipo no Golfo, não prevê exceções baseadas no consentimento parental e obriga as plataformas a implementar mecanismos fiáveis de verificação de idade, como sistemas de identidade digital. Na faixa etária dos 15 aos 16 anos, o acesso será permitido com salvaguardas rigorosas, incluindo a classificação de conteúdos por idade, a desativação de funcionalidades de alto risco e a ativação obrigatória de controlos parentais. As empresas ficam ainda proibidas de direcionar publicidade ou perfis comportamentais a menores. Segundo fontes oficiais, o quadro de implementação e os procedimentos de fiscalização serão divulgados na próxima semana.

A medida alinha-se a um movimento mais amplo registado na Europa. Na Suécia, uma comissão governamental propôs igualmente uma idade mínima de 15 anos para aceder a redes sociais, mas o relatório final só será apresentado após as eleições. Em declarações à imprensa, o ministro dos Assuntos Sociais, Jakob Forssmed, manifestou apoio à restrição, apesar de o executivo ainda não ter definido como a aplicar. França, Espanha, Áustria e Dinamarca estudam políticas semelhantes. Contudo, uma análise do Sindicato da Juventude do Partido do Centro sueco alerta que proibições podem revelar-se ineficazes, defendendo antes que as plataformas sejam obrigadas a reformular os algoritmos dirigidos a menores. A Organização Mundial de Saúde reportou que o uso problemático das redes entre adolescentes europeus passou de 7% em 2018 para 11% em 2022, com as raparigas a serem as mais afetadas por pressões ligadas à imagem corporal e ao ciberassédio. Apesar do amplo apoio público a limites etários, especialistas da OMS sublinham a escassez de estudos de longo prazo que comprovem a eficácia de proibições absolutas.

Na perspetiva do Sudeste Asiático, a Indonésia opta por uma via distinta. O Governo de Jacarta centra-se na prevenção do tráfico de droga através da supervisão digital, sem impor bloqueios generalizados ao acesso a redes sociais. O vice-presidente da Câmara de Medan, Zakiyuddin Harahap, instou os pais a fiscalizarem o uso de dispositivos eletrónicos pelos filhos, alertando que as redes de narcotráfico recrutam jovens durante jogos online. O chefe da Agência Nacional de Narcóticos, Suyudi Ario Seto, solicitou ao Ministério da Comunicação e Digital a aceleração da troca de informações e o bloqueio de contas e sítios eletrónicos suspeitos. Em paralelo, o Governo indonésio promove a educação sobre os perigos dos cigarros eletrónicos e do jogo online. Jacarta sublinha a necessidade de proteger espaços digitais sem, contudo, adotar uma proibição etária rígida, privilegiando a colaboração interinstitucional e a capacitação dos pais.

Autoridades e especialistas dos Emirados sublinham que os riscos vão além da segurança: incluem danos à autoimagem e à saúde mental. Médicos e conselheiros familiares em Abu Dhabi e no Dubai relatam casos de adolescentes que, influenciados por filtros e imagens editadas, manifestam desejo de realizar cirurgias estéticas aos 13 ou 14 anos. A pressão para construir uma presença online "perfeita" favorece comparações sociais constantes, ansiedade e distúrbios alimentares. Conselheiros recomendam às famílias uma abordagem assente no diálogo, ensinando às crianças a regra "para, não respondas e conta aos teus pais". A nova legislação dos EAU tenta responder a este conjunto de ameaças de forma sistémica, mas os próximos passos — a publicação dos mecanismos de fiscalização — serão determinantes para avaliar a sua exequibilidade. Na Europa, o debate permanece em aberto, enquanto a Indonésia aposta na prevenção criminal, num cenário global que ainda procura consenso sobre como harmonizar proteção da infância, inovação tecnológica e liberdades digitais.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

28%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa do Golfo árabe
Imprensa latino-americana
DistanciamentoPragmatismo

Mediante nova lei, os Emirados Árabes vetam o uso de redes sociais por menores de 15 anos e estipulam um prazo de um ano para adequação tecnológica das empresas.

Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPaternalismo

As autoridades dos Emirados Árabes implantaram um arcabouço abrangente de segurança digital infantil, que não se limita a vetar o uso de redes sociais por menores de 15 anos, estabelecendo obrigações para plataformas sobre verificação de idade, privacidade de dados e direcionamento de anúncios, com o bem-estar da criança como prioridade nacional.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Mortes de bebês nos EUA, Argentina, Brasil e Alemanha mobilizam autoridades·Autenticidade em crise: o preço do autoengano na comunicação pessoal e política·Tiroteio durante celebração do Juneteenth em Chicago deixa ao menos 12 feridos·Suspensão de Bezzecchi por agressão a fiscal deixa Mundial de MotoGP em aberto·Solstício de verão 2026 alonga dias no hemisfério norte e encurta luz no Brasil·Com 15 defesas, Eloy Room garante a Curaçau seu primeiro ponto histórico no Mundial·Estabilidade eleitoral e alta rejeição marcam cenário da corrida presidencial de 2026·Fritz elimina Zverev em drama de calor e marca final americana em Halle·Mortes de bebês nos EUA, Argentina, Brasil e Alemanha mobilizam autoridades·Autenticidade em crise: o preço do autoengano na comunicação pessoal e política·Tiroteio durante celebração do Juneteenth em Chicago deixa ao menos 12 feridos·Suspensão de Bezzecchi por agressão a fiscal deixa Mundial de MotoGP em aberto·Solstício de verão 2026 alonga dias no hemisfério norte e encurta luz no Brasil·Com 15 defesas, Eloy Room garante a Curaçau seu primeiro ponto histórico no Mundial·Estabilidade eleitoral e alta rejeição marcam cenário da corrida presidencial de 2026·Fritz elimina Zverev em drama de calor e marca final americana em Halle·
Atualizado 03:343 idiomas · 3 veículos
AnteriorJustiça & DireitoPróximo
3 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
sábado, 20 de junho de 2026

EAU proíbem redes sociais para menores de 15 anos; Europa e Indonésia adotam vias distintas

Conselho de Ministros dos Emirados Árabes Unidos impõe a primeira proibição absoluta no Golfo, enquanto a Suécia propõe limite semelhante e Jacarta aposta na prevenção do narcotráfico digital.

O Conselho de Ministros dos Emirados Árabes Unidos anunciou a proibição total do uso de redes sociais por crianças com menos de 15 anos. A decisão, a primeira desse tipo no Golfo, não prevê exceções baseadas no consentimento parental e obriga as plataformas a implementar mecanismos fiáveis de verificação de idade, como sistemas de identidade digital. Na faixa etária dos 15 aos 16 anos, o acesso será permitido com salvaguardas rigorosas, incluindo a classificação de conteúdos por idade, a desativação de funcionalidades de alto risco e a ativação obrigatória de controlos parentais. As empresas ficam ainda proibidas de direcionar publicidade ou perfis comportamentais a menores. Segundo fontes oficiais, o quadro de implementação e os procedimentos de fiscalização serão divulgados na próxima semana.

A medida alinha-se a um movimento mais amplo registado na Europa. Na Suécia, uma comissão governamental propôs igualmente uma idade mínima de 15 anos para aceder a redes sociais, mas o relatório final só será apresentado após as eleições. Em declarações à imprensa, o ministro dos Assuntos Sociais, Jakob Forssmed, manifestou apoio à restrição, apesar de o executivo ainda não ter definido como a aplicar. França, Espanha, Áustria e Dinamarca estudam políticas semelhantes. Contudo, uma análise do Sindicato da Juventude do Partido do Centro sueco alerta que proibições podem revelar-se ineficazes, defendendo antes que as plataformas sejam obrigadas a reformular os algoritmos dirigidos a menores. A Organização Mundial de Saúde reportou que o uso problemático das redes entre adolescentes europeus passou de 7% em 2018 para 11% em 2022, com as raparigas a serem as mais afetadas por pressões ligadas à imagem corporal e ao ciberassédio. Apesar do amplo apoio público a limites etários, especialistas da OMS sublinham a escassez de estudos de longo prazo que comprovem a eficácia de proibições absolutas.

Na perspetiva do Sudeste Asiático, a Indonésia opta por uma via distinta. O Governo de Jacarta centra-se na prevenção do tráfico de droga através da supervisão digital, sem impor bloqueios generalizados ao acesso a redes sociais. O vice-presidente da Câmara de Medan, Zakiyuddin Harahap, instou os pais a fiscalizarem o uso de dispositivos eletrónicos pelos filhos, alertando que as redes de narcotráfico recrutam jovens durante jogos online. O chefe da Agência Nacional de Narcóticos, Suyudi Ario Seto, solicitou ao Ministério da Comunicação e Digital a aceleração da troca de informações e o bloqueio de contas e sítios eletrónicos suspeitos. Em paralelo, o Governo indonésio promove a educação sobre os perigos dos cigarros eletrónicos e do jogo online. Jacarta sublinha a necessidade de proteger espaços digitais sem, contudo, adotar uma proibição etária rígida, privilegiando a colaboração interinstitucional e a capacitação dos pais.

Autoridades e especialistas dos Emirados sublinham que os riscos vão além da segurança: incluem danos à autoimagem e à saúde mental. Médicos e conselheiros familiares em Abu Dhabi e no Dubai relatam casos de adolescentes que, influenciados por filtros e imagens editadas, manifestam desejo de realizar cirurgias estéticas aos 13 ou 14 anos. A pressão para construir uma presença online "perfeita" favorece comparações sociais constantes, ansiedade e distúrbios alimentares. Conselheiros recomendam às famílias uma abordagem assente no diálogo, ensinando às crianças a regra "para, não respondas e conta aos teus pais". A nova legislação dos EAU tenta responder a este conjunto de ameaças de forma sistémica, mas os próximos passos — a publicação dos mecanismos de fiscalização — serão determinantes para avaliar a sua exequibilidade. Na Europa, o debate permanece em aberto, enquanto a Indonésia aposta na prevenção criminal, num cenário global que ainda procura consenso sobre como harmonizar proteção da infância, inovação tecnológica e liberdades digitais.

Divergência das fontes

Justiça & Direito · 3 veículos · 3 idiomas

28%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável83%
Neutro17%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa do Golfo árabe
Imprensa latino-americana
DistanciamentoPragmatismo

Mediante nova lei, os Emirados Árabes vetam o uso de redes sociais por menores de 15 anos e estipulam um prazo de um ano para adequação tecnológica das empresas.

Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPaternalismo

As autoridades dos Emirados Árabes implantaram um arcabouço abrangente de segurança digital infantil, que não se limita a vetar o uso de redes sociais por menores de 15 anos, estabelecendo obrigações para plataformas sobre verificação de idade, privacidade de dados e direcionamento de anúncios, com o bem-estar da criança como prioridade nacional.

Esta notícia apareceu em

3 veículos · 3 idiomas

Artigos relacionados

Esporte

Real Madrid desmente rumor e nega contato com Michael Olise

7 idiomas · 11 veículos

Geopolítica & Política

Vance viaja à Suíça para negociar tréguas no Líbano e acordo nuclear com o Irão

5 idiomas · 14 veículos

Esporte

Suspensão de Bezzecchi por agressão a fiscal deixa Mundial de MotoGP em aberto

4 idiomas · 14 veículos

Ler mais