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Sociedade & Culturasábado, 25 de julho de 2026

De Jacarta a Madrid, o novo mapa da formação e da solidariedade

Iniciativas de bolsas, estágios e fundos filantrópicos cruzam fronteiras para formar profissionais e fortalecer comunidades, num momento de reconfiguração do ensino superior.

Na manhã de uma quinta-feira de julho, sob a luz filtrada do quinto andar da sede da BAZNAS em Jacarta, quinze jovens de expressão contida e trajes formais foram recebidos por dirigentes da instituição. Eram estudantes de Economia Islâmica da Universidade Muhammadiyah, entregues simbolicamente pelos seus professores a um programa de estágio que os colocaria durante meses nos corredores da agência nacional de zakat. A cerimónia, discreta mas solene, incluiu discursos de incentivo e a assinatura de documentos que, mais do que formalidades, selavam um pacto entre a academia e a gestão da caridade islâmica.

A cena condensa um movimento mais amplo que, no segundo semestre de 2026, atravessa a Indonésia e outras paragens: o estreitamento dos laços entre formação profissional e estruturas de solidariedade social. Dias antes, no mesmo país, o congresso dos muçulmanos indonésios (KUII VIII) tinha sido palco de um memorando entre o Conselho de Ulemas (MUI) e a fundação Sharing Happiness. O acordo mobiliza zakat, doações e fundos de responsabilidade social para programas de empoderamento económico, educação e saúde de líderes religiosos. Na leitura de observadores de Jacarta, a tónica não é apenas redistributiva — trata-se de construir ecossistemas onde a filantropia profissionalizada sirva de alicerce a uma cidadania mais qualificada.

Essa lógica de investimento em capital humano ganha escala internacional quando se observam outros fluxos. Em julho, a União Europeia anunciou que 90 estudantes indonésios iniciariam mestrados pelo Erasmus Mundus, 78 deles com bolsa integral. A cerimónia de lançamento incluiu a criação do EU Youth Alumni Circle Indonesia, plataforma de contacto entre ex‑bolseiros que, na perspetiva de Bruxelas, deve perpetuar o efeito multiplicador do intercâmbio. Do outro lado do mundo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) oferecia 75 descontos de metade do valor para mestrados virtuais numa universidade espanhola, com candidaturas abertas a argentinos e outros latino-americanos até ao final de setembro. Os cursos abrangem da bioinformática ao design de videojogos, e o modelo responde a um obstáculo reiterado por analistas latino-americanos: o custo da internacionalização do currículo.

Longe dos trópicos, Moscovo prepara uma reestruturação silenciosa mas de longo alcance. O Ministério da Ciência e Ensino Superior anunciou que todos os estabelecimentos de ensino superior do país adotarão, até 2030, um modelo de três níveis — básico, especializado e doutoral. A transição, que já decorre em 17 instituições piloto, é descrita pelas autoridades como um exercício de «cautela» para não ferir a qualidade, numa esfera que consideram naturalmente conservadora. Enquanto isso, em Singapura, o Conselho Islâmico (MUIS) distribuiu mais de oito milhões de dólares de fundos wakaf a mesquitas, madraçais e organizações comunitárias, um pequeno acréscimo em relação ao ano anterior que, para os gestores da cidade‑Estado, representa a continuidade de um instrumento pensado para gerar rendimento sustentável ao longo de gerações.

No fim da manhã em Jacarta, os estagiários deixaram o auditório ladeados pelos chefes das divisões de angariação, operações e promoção que os orientariam dali em diante. Pelas janelas do edifício, a cidade pulsava indiferente ao vaivém de papéis e promessas, mas ali dentro ficara a imagem de uma pequena procissão de jovens entrando nos escritórios onde o dinheiro da fé se transforma em bolsas de estudo, assistência médica e material escolar — o retrato possível de um tempo em que aprender e doar se tornaram faces de um mesmo impulso de travessia.

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sábado, 25 de julho de 2026

De Jacarta a Madrid, o novo mapa da formação e da solidariedade

Iniciativas de bolsas, estágios e fundos filantrópicos cruzam fronteiras para formar profissionais e fortalecer comunidades, num momento de reconfiguração do ensino superior.

Na manhã de uma quinta-feira de julho, sob a luz filtrada do quinto andar da sede da BAZNAS em Jacarta, quinze jovens de expressão contida e trajes formais foram recebidos por dirigentes da instituição. Eram estudantes de Economia Islâmica da Universidade Muhammadiyah, entregues simbolicamente pelos seus professores a um programa de estágio que os colocaria durante meses nos corredores da agência nacional de zakat. A cerimónia, discreta mas solene, incluiu discursos de incentivo e a assinatura de documentos que, mais do que formalidades, selavam um pacto entre a academia e a gestão da caridade islâmica.

A cena condensa um movimento mais amplo que, no segundo semestre de 2026, atravessa a Indonésia e outras paragens: o estreitamento dos laços entre formação profissional e estruturas de solidariedade social. Dias antes, no mesmo país, o congresso dos muçulmanos indonésios (KUII VIII) tinha sido palco de um memorando entre o Conselho de Ulemas (MUI) e a fundação Sharing Happiness. O acordo mobiliza zakat, doações e fundos de responsabilidade social para programas de empoderamento económico, educação e saúde de líderes religiosos. Na leitura de observadores de Jacarta, a tónica não é apenas redistributiva — trata-se de construir ecossistemas onde a filantropia profissionalizada sirva de alicerce a uma cidadania mais qualificada.

Essa lógica de investimento em capital humano ganha escala internacional quando se observam outros fluxos. Em julho, a União Europeia anunciou que 90 estudantes indonésios iniciariam mestrados pelo Erasmus Mundus, 78 deles com bolsa integral. A cerimónia de lançamento incluiu a criação do EU Youth Alumni Circle Indonesia, plataforma de contacto entre ex‑bolseiros que, na perspetiva de Bruxelas, deve perpetuar o efeito multiplicador do intercâmbio. Do outro lado do mundo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) oferecia 75 descontos de metade do valor para mestrados virtuais numa universidade espanhola, com candidaturas abertas a argentinos e outros latino-americanos até ao final de setembro. Os cursos abrangem da bioinformática ao design de videojogos, e o modelo responde a um obstáculo reiterado por analistas latino-americanos: o custo da internacionalização do currículo.

Longe dos trópicos, Moscovo prepara uma reestruturação silenciosa mas de longo alcance. O Ministério da Ciência e Ensino Superior anunciou que todos os estabelecimentos de ensino superior do país adotarão, até 2030, um modelo de três níveis — básico, especializado e doutoral. A transição, que já decorre em 17 instituições piloto, é descrita pelas autoridades como um exercício de «cautela» para não ferir a qualidade, numa esfera que consideram naturalmente conservadora. Enquanto isso, em Singapura, o Conselho Islâmico (MUIS) distribuiu mais de oito milhões de dólares de fundos wakaf a mesquitas, madraçais e organizações comunitárias, um pequeno acréscimo em relação ao ano anterior que, para os gestores da cidade‑Estado, representa a continuidade de um instrumento pensado para gerar rendimento sustentável ao longo de gerações.

No fim da manhã em Jacarta, os estagiários deixaram o auditório ladeados pelos chefes das divisões de angariação, operações e promoção que os orientariam dali em diante. Pelas janelas do edifício, a cidade pulsava indiferente ao vaivém de papéis e promessas, mas ali dentro ficara a imagem de uma pequena procissão de jovens entrando nos escritórios onde o dinheiro da fé se transforma em bolsas de estudo, assistência médica e material escolar — o retrato possível de um tempo em que aprender e doar se tornaram faces de um mesmo impulso de travessia.

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