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Geopolítica & Políticasexta-feira, 24 de julho de 2026

Crise nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb ameaça abastecimento de petróleo

Queda drástica do tráfego em Ormuz e ataques houthis no Mar Vermelho elevam custos globais de energia e pressionam a diplomacia internacional.

Dados de sistemas de rastreamento de navios indicam que a passagem pelo Estreito de Ormuz ficou reduzida a uma média de três embarcações diárias entre 22 e 24 de julho, contrastando com o fluxo habitual de 120 a 150 navios antes do fechamento imposto pelo Irão em março, no contexto da guerra de 40 dias com os EUA e Israel. A interrupção quase total deste corredor, por onde transitava 20% do petróleo e 25% do gás liquefeito mundial, coincide com uma escalada de tensão no Bab el-Mandeb, onde os houthis do Iémen alvejaram dois petroleiros sauditas e ameaçam perturbar uma rota responsável por 12% do crude e 8% do GNL globais. Embora o tráfego no Bab el-Mandeb tenha registado uma subida para 32 navios num só dia, segundo a consultora Kepler, os custos de seguro para determinadas cargas dispararam para valores entre 1% e 3% do valor da mercadoria, podendo representar até 20 milhões de dólares por travessia de um superpetroleiro. O barril de Brent já se aproxima dos 100 dólares, refletindo a perceção de um duplo estrangulamento logístico sem precedentes recentes.

Em comunicados divulgados ao longo da última semana, o porta-voz houthi e negociador-chefe, Mohammed Abdelsalam, rejeitou a ideia de um encerramento total do Bab el-Mandeb. Na plataforma Telegram, afirmou que a ação do seu grupo constitui um bloqueio naval dirigido exclusivamente à Arábia Saudita, em retaliação pelo cerco imposto ao Iémen nos últimos 12 anos. Acrescentou que a recusa de Riade em aceitar uma solução política que garanta segurança e soberania ao povo iemenita justifica a medida. Esta clarificação surge depois de os rebeldes terem retomado os ataques contra embarcações comerciais, os quais estavam suspensos há cerca de dez meses, na sequência do plano de paz para Gaza. Forças armadas norte-americanas confirmaram, por seu lado, que desde o início do bloqueio naval de Teerão, há nove dias, interceptaram 12 navios com destino ou origem em portos iranianos, tendo chegado a disparar contra uma embarcação que se recusou a acatar as ordens.

A comunidade internacional reagiu com alarme. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda preocupação com o recomeço das hostilidades e apelou à contenção imediata, alertando para o risco de agravamento das tensões regionais. O Presidente dos EUA, Donald Trump, avisou que Washington responsabilizará o Irão por qualquer nova ação houthi e ameaçou com represálias militares severas contra o regime de Teerão e os seus aliados no Iémen. Do ponto de vista lusófono, o impacto não é negligenciável: o Brasil, que importa volumes significativos de petróleo do Golfo Pérsico, poderá ver agravada a pressão sobre os preços dos combustíveis e dos fretes marítimos, enquanto Portugal, com interesses na segurança da navegação atlântica, acompanha com apreensão os desenvolvimentos numa zona de trânsito vital para as cadeias de abastecimento globais.

Observadores em Riade e capitais ocidentais ligam a atuação dos houthis à estratégia regional do Irão, que utiliza grupos armados aliados para multiplicar os focos de instabilidade. O encerramento de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana, após a ofensiva militar de março, e a simultânea ativação da frente marítima no Mar Vermelho sugerem uma tentativa coordenada de pressionar o mercado energético mundial. Entretanto, a Arábia Saudita, que tinha redirecionado parte das suas exportações de crude pelo Bab el-Mandeb para contornar o bloqueio de Ormuz, vê agora também esta via ameaçada. Espera-se que o Conselho de Segurança da ONU discuta a situação nos próximos dias, enquanto as diplomacias regionais tentam evitar que a crise se transforme num confronto militar aberto com consequências ainda mais gravosas para a economia mundial.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Crise nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb ameaça abastecimento de petróleo

Queda drástica do tráfego em Ormuz e ataques houthis no Mar Vermelho elevam custos globais de energia e pressionam a diplomacia internacional.

Dados de sistemas de rastreamento de navios indicam que a passagem pelo Estreito de Ormuz ficou reduzida a uma média de três embarcações diárias entre 22 e 24 de julho, contrastando com o fluxo habitual de 120 a 150 navios antes do fechamento imposto pelo Irão em março, no contexto da guerra de 40 dias com os EUA e Israel. A interrupção quase total deste corredor, por onde transitava 20% do petróleo e 25% do gás liquefeito mundial, coincide com uma escalada de tensão no Bab el-Mandeb, onde os houthis do Iémen alvejaram dois petroleiros sauditas e ameaçam perturbar uma rota responsável por 12% do crude e 8% do GNL globais. Embora o tráfego no Bab el-Mandeb tenha registado uma subida para 32 navios num só dia, segundo a consultora Kepler, os custos de seguro para determinadas cargas dispararam para valores entre 1% e 3% do valor da mercadoria, podendo representar até 20 milhões de dólares por travessia de um superpetroleiro. O barril de Brent já se aproxima dos 100 dólares, refletindo a perceção de um duplo estrangulamento logístico sem precedentes recentes.

Em comunicados divulgados ao longo da última semana, o porta-voz houthi e negociador-chefe, Mohammed Abdelsalam, rejeitou a ideia de um encerramento total do Bab el-Mandeb. Na plataforma Telegram, afirmou que a ação do seu grupo constitui um bloqueio naval dirigido exclusivamente à Arábia Saudita, em retaliação pelo cerco imposto ao Iémen nos últimos 12 anos. Acrescentou que a recusa de Riade em aceitar uma solução política que garanta segurança e soberania ao povo iemenita justifica a medida. Esta clarificação surge depois de os rebeldes terem retomado os ataques contra embarcações comerciais, os quais estavam suspensos há cerca de dez meses, na sequência do plano de paz para Gaza. Forças armadas norte-americanas confirmaram, por seu lado, que desde o início do bloqueio naval de Teerão, há nove dias, interceptaram 12 navios com destino ou origem em portos iranianos, tendo chegado a disparar contra uma embarcação que se recusou a acatar as ordens.

A comunidade internacional reagiu com alarme. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda preocupação com o recomeço das hostilidades e apelou à contenção imediata, alertando para o risco de agravamento das tensões regionais. O Presidente dos EUA, Donald Trump, avisou que Washington responsabilizará o Irão por qualquer nova ação houthi e ameaçou com represálias militares severas contra o regime de Teerão e os seus aliados no Iémen. Do ponto de vista lusófono, o impacto não é negligenciável: o Brasil, que importa volumes significativos de petróleo do Golfo Pérsico, poderá ver agravada a pressão sobre os preços dos combustíveis e dos fretes marítimos, enquanto Portugal, com interesses na segurança da navegação atlântica, acompanha com apreensão os desenvolvimentos numa zona de trânsito vital para as cadeias de abastecimento globais.

Observadores em Riade e capitais ocidentais ligam a atuação dos houthis à estratégia regional do Irão, que utiliza grupos armados aliados para multiplicar os focos de instabilidade. O encerramento de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana, após a ofensiva militar de março, e a simultânea ativação da frente marítima no Mar Vermelho sugerem uma tentativa coordenada de pressionar o mercado energético mundial. Entretanto, a Arábia Saudita, que tinha redirecionado parte das suas exportações de crude pelo Bab el-Mandeb para contornar o bloqueio de Ormuz, vê agora também esta via ameaçada. Espera-se que o Conselho de Segurança da ONU discuta a situação nos próximos dias, enquanto as diplomacias regionais tentam evitar que a crise se transforme num confronto militar aberto com consequências ainda mais gravosas para a economia mundial.

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