
Construção de moradias nos EUA cai ao ritmo mais baixo desde 2020
Início de obras recua 15,4% em maio e surpreende analistas, enquanto Irão, Rússia e Suíça enfrentam os seus próprios impasses entre custos, procura e oferta.
O mercado imobiliário norte-americano registou em maio a contração mais acentuada em seis anos, com o início de construção de novas habitações a cair 15,4% face a abril, para uma taxa anualizada de 1,18 milhões de unidades. O tombo, muito além da modesta retração de 1,4% projetada por economistas, reflete uma estratégia defensiva dos promotores, que preferem escoar o inventário acumulado a lançar novos projetos num ambiente de procura débil. As licenças de construção também recuaram 0,7%, sinalizando que a retração não será passageira.\n\nO arrefecimento norte-americano encontra eco noutras geografias, ainda que por razões distintas. No Irão, a vice-presidente da união de consultores imobiliários descreveu um cenário de “casas construídas, mas sem comprador”, com projetos paralisados ou abandonados em Teerão. A escalada dos custos dos materiais, a valorização dos terrenos e a dificuldade de acesso ao crédito esvaziaram a eficácia dos empréstimos à habitação, que outrora cobriam uma fatia substancial do custo de cada unidade. A estes fatores soma-se a erosão do poder de compra das famílias e a lentidão dos processos administrativos, estrangulando a oferta num país onde o défice habitacional já era crónico.\n\nNa Rússia, a dinâmica é distinta: o fosso de preços entre o mercado primário e o secundário está a diminuir nas grandes cidades. Em Níjni Novgorod, o metro quadrado usado é agora 15% mais barato do que o novo, contra uma diferença de 21% há um ano; em Perm, a diferença encolheu de 29% para 24%, e em Cazã, de 17% para 13%. Observadores em Moscovo interpretam esta convergência como um sinal de que a procura se desloca para imóveis existentes, pressionando os preços em alta no segmento secundário ou forçando uma moderação nas novas construções. Ainda assim, Cheliabinsk continua a oferecer a maior poupança para quem opta pelo usado.\n\nA Suíça, por seu turno, ilustra o paradoxo da vontade política sem execução célere. O recente chumbo da iniciativa “Pas de Suisse à 10 millions!” encerrou um capítulo, mas consolidou a ideia de que a escassez habitacional só se resolve pelo aumento da oferta, e não por restrições demográficas. Contudo, entre 2020 e 2024 foram entregues menos de 46 mil fogos por ano, abaixo dos mais de 51 mil do quinquénio anterior, enquanto se formaram anualmente mais de 50 mil novos agregados familiares. Os bloqueios administrativos e a dispersão de responsabilidades travam a aceleração necessária.\n\nO quadro global revela um setor sob tensão, espremido entre custos de construção persistentemente elevados, financiamento mais caro e, em vários casos, uma procura que não acompanha a ambição de produzir mais. Se nos Estados Unidos o risco imediato é o excesso de stock, no Irão é a paralisia do investimento, na Rússia uma recomposição de preços que pode indicar correção, e na Suíça um desequilíbrio estrutural entre oferta e formação de lares. Para observadores em Lisboa e Brasília, o momento serve de alerta: sem políticas que destravem licenciamentos, barateiem o crédito à produção e sustentem o poder de compra, o ciclo de escassez tenderá a repetir-se, independentemente da latitude.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O setor habitacional iraniano está em crise profunda: em Teerão, os projetos de construção estão parados ou abandonados devido a custos explosivos, terrenos caros e empréstimos ineficazes. Os construtores não têm incentivos para lançar novos empreendimentos e o fosso entre oferta e procura real continua a aumentar.
Nas grandes cidades russas, a diferença de preço entre habitação nova e usada está a diminuir, com quedas assinaláveis em algumas localidades. Ao mesmo tempo, a área média dos apartamentos novos encolhe, pois os compradores concentram-se no valor da prestação.
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